Uma ação movida por Charlie Cleveland, Max McGuire (fundadores da Unknown Worlds) e Ted Gill (ex-CEO da desenvolvedora) acusa a Krafton, publicadora do jogo, a praticar uma “agenda de obstrução” e adiar o lançamento de Subnautica 2 para não precisar pagar um bônus milionário que prometeu para a empresa.
De acordo com o processo, a publicadora sul-coreana estaria há meses tomando decisões para atrapalhar e atrasar o desenvolvimento do jogo propositalmente. E o motivo seria para não precisar pagar os US$250 milhões prometidos casos certos objetivos (que incluíam coisas como tempo de entrega do jogo final e números de vendas) fossem atingidos num determinado período de tempo.
Segundo as informações divulgadas no processo, a partir do momento que ficou claro que Subnautica 2 iria atingir todos os objetivos que foram definidos pela Krafton, ela automaticamente começou a “jogar contra” e fazer de tudo para atrapalhar o desenvolvimento e forçar um adiamento do jogo. Há algumas semanas, a publicadora anunciou oficialmente que o jogo seria adiado para 2026 – o que tornaria praticamente impossível que os desenvolvedores atingissem os objetivos necessários para ganhar o bônus.
O texto do processo fala sobre uma “campanha de meses” para atrapalhar o lançamento do jogo. Essa campanha incluiu a retirada de importantes materiais de marketing, a recusa de fechar parcerias midiáticas e o não cumprimento de diversos acordos do que a Krafton deveria fazer durante a campanha de lançamento do game.
Entre as atitudes tomadas pela Krafton neste período, segundo o texto do processo, estariam o desestruturamento do time de localização e tradução, o fim de parcerias comerciais estabelecidas (como a que colocaria o jogo como o destaque de capa da PC Gamer), além de não fornecer o suporte legal necessário para ajustar os termos de uso do jogo. Essas e outras táticas para atrasar o lançamento estão disponíveis no documento completo do processo, que pode ser acessado gratuitamente (em inglês) via Scribd (cortesia dos lindos do Aftermath).
Onde começou o caos entre Krafton, Unknown Worlds e Subnautica 2
Essa história toda começou em 2021, quando a Krafton adquiriu a Unknown Worlds. O valor da compra não foi anunciado oficialmente pela empresa na época do anúncio, mas teria sido em torno de US$500 milhões. Metade deste valor teria sido pago no momento da aquisição, e metade dele (U$250 milhões) seria pago como bônus caso a empresa atingisse um certo número de objetivos até uma determinada data.
Sob o “guarda-chuva” da Krafton, a Unkwonw Worlds lançou Moonbreaker em 2024, e estava caminhando tranquilamente para lançar Subnautica 2 ainda este ano. As estimativas indicavam que o jogo venderia pelo menos 2 milhões de cópias (quase o dobro da 1,1 milhões de cópias de InZoi, o grande sucesso da Krafton deste ano), e por isso a equipe de desenvolvimento estava confiante de que bateria todas as metas necessárias para o pagamento do bônus.
Para colocar ainda mais “sal na ferida”, a coisa teria piorado muito quando os diretores da Unknown Worlds afirmaram que iriam dividir o bônus igualmente entre todos os cerca de 100 funcionários da empresa. O processo afirma que, neste momento, a campanha de atraso virou uma campanha de intimidação.
Diretores da Krafton teriam alegado que o bônus firmado em contrato era algo exclusivo para a diretoria e não deveria ser dividido com toda a empresa. Enquanto isso, os advogados da desenvolvedora afirmam que não há nada firmado em contrato que impeça os diretores fazer o que quiser com o dinheiro – inclusive distribuir para os funcionários.
Após isso, representantes da Krafton tentaram convencer a desenvolvedora a aceitar um valor de bônus menor que o combinado, e com uma cláusula de que eles estavam proibidos de dividir esse bônus com o resto da equipe. Essa proposta foi prontamente negada, e a diretoria da Unknown Worlds afirmou que não iria aceitar nenhuma proposta que os impedisse de dividir os lucros com o resto da empresa.
Após essa recusa, a Krafton teria acusado Cleveland, McGuire e Gill de “agirem contra os interesses da empresa”, demitido os três executivos e retirado eles do corpo diretor da empresa.
No processo, os advogados dos três acusam a Krafton de quebrar o contrato assinado durante a aquisição tanto em espírito quanto na literalidade da palavra escrita. Eles afirmam que a publicadora quebrou a promessa de manter todas as decisões criativas e controle operacional da empresa nas mãos dos fundadores, de conversar com eles antes de tomar qualquer decisão que poderia atrapalhar a aquisição do bônus acordado em contrato, de tomar qualquer ação cujo principal objetivo seria atrapalhar a empresa de alcançar o bônus ao qual tinha direito, e de demitir sem justa causa os fundadores da empresa.
A questão agora deverá ser resolvida no tribunal, e não há uma expectativa de quando teremos uma resolução do caso. Enquanto isso, Subnautica 2 continua marcado para sair apenas em 2026.
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

