O Brasil tem um sistema nacional de distribuição de jogos; o problema são os gargalos. Por Pedro Zambarda - Drops de Jogos

O Brasil tem um sistema nacional de distribuição de jogos; o problema são os gargalos. Por Pedro Zambarda

Pensando problemas de maneira objetiva e enxergando os grandes avanços que aconteceram em quase três décadas

Por Pedro Zambarda, editor-chefe.

Numa palestra recente que dei na USP, num evento no Sebrae, fui taxativo, ao tratar do tema do meu livro “Videogame Crash”, de que existem gargalos na cena brasileira de jogos indie, sobretudo para games independentes. As críticas que faço são embasadas em fatos, dados e problemas de gerenciamento.

No começo da onda dos layoffs a nível global, puxada pela crise econômica dos Estados Unidos, eu dediquei meu livro a não adentrar num otimismo coach. A crítica da minha visão não é pessimismo ou otimismo. Opero fora desses dois pedais. Numa trajetória de avanço da IA generativa, que pode estourar uma bolha especulativa, a preocupação com os trabalhadores deve ser uma prioridade no trabalho jornalístico, de análise de mercado e de quem defende o desenvolvimento de games como economia criativa, como indústria ou mercado estratégico.

Por isso, me espanta ainda quem fala que não existe um sistema nacional de distribuição de jogos brasileiros, sejam indie ou de grande indústria. O sistema existe.

Está numa cadeia de eventos que vão de Gamescom Latam até BGS, de Perifacon até o Festival Jogatório, da CCXP até feiras no interior do Brasil.

O sistema de distribuição existe do site de notícias Omelete, gigante do setor, passando pelo IGN Brasil, pelo Flow Games, até este Drops de Jogos ou páginas mais de nicho: Indie Brasilis, The Gaming Era, Overloadr, Jogabilidade, Nautilus e outros (não vou lembrar de todos e não vem ao caso).

O sistema brasileiro existe até mesmo pelas necessidades dos indie que vão sendo, aos poucos, atendidas. O game brasileiro Ghetto Zombies foi pauta no Meteoro Brasil e teve lançamento impulsionado no Flow.

Ter críticas a pontos dessa cadeia não me faz ignorar a floresta quando se olha uma árvore. Afirmar que não tem um sistema nacional de distribuição, promoção e acompanhamento de jogos brasileiros me parece, numa análise mais fria, não levar em conta que há um ciclo virtuoso de 20 anos, quase 30, de produção de games, com desaceleração em determinados pontos.

O fato de determinados games não darem lucro não desmente a existência desse sistema. Há jogos que dão prejuízo no Japão, nos Estados Unidos e outros, em outras localidades, que não foram sequer concebidos para a lucratividade. O lucro não é a única régua de um mercado. Talvez seja a régua de determinados negócios.

O que o mercado brasileiro precisa, pra ontem, é valorizar sua produção nacional. Mas isso está em curso. Inclusive neste Drops de Jogos. No site, nos vídeos e nos livros que estão sendo produzidos.

Não basta apenas sentar e reclamar. O trabalho é árduo. A recompensa muitas vezes é maior do que se imagina.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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