[OPINIÃO] Brasil no Razzies é mais importante do que no Oscar - Drops de Jogos

[OPINIÃO] Brasil no Razzies é mais importante do que no Oscar

Sim, vamos comemorar o Brasil no Oscar. Mas quem realmente faz história em 2026 é a Isis Valverde no Razzies.

(Imagem: montagem feita por Rafael Silva)

Muita gente está comemorando as quatro indicações que O Agente Secreto recebeu para o Oscar deste ano, mas 2026 tem outro motivo para entrar na história: esta é a primeira vez que o país tem indicados tanto no Oscar quanto no Razzies.

Razzies é o “nome carinhoso” do Golden Raspberry Award (Prêmio Framboesa de Ouro em português), uma premiação que existe desde a década de 1980 e que tem o objetivo de ser o contrário do Oscar. Enquanto este quer premiar o melhor que o cinema produziu em cada ano, o Framboesa é um reconhecimento para o que vimos de pior no cinema naquele ano.

Apesar de ter uma grande tradição no Oscar, com 26 indicações e uma estatueta, ninguém do país ainda tinha recebido sequer uma única indicação ao Framboesa de Ouro. E isto não apenas como ator ou filme mas em todas as categorias da premiação.

Assim, apesar de comemorarmos o feito de Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho, de certa forma Isis Valverde é a grande “quebradora de barreiras” cinematográficas para o país este ano. Afinal, o Brasil já tem uma longa tradição de filmes sucesso de crítica lá fora. É hora de mostrarmos que nós também conseguimos entregar o joio além do trigo.

Brasil, Oscar e Razzies

Aí você pode estar se perguntando: como assim um Se Eu Fosse Você 3, um Minha Mãe é uma Peça ou um Zoando na TV nunca recebeu uma única indicação para pior filme no Razzies?

O motivo é bem simples: ao contrário da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que desde a década de 1940 tenta dar algum tipo de premiação aos filmes que não são de língua inglesa, não há essa preocupação no Razzies. O prêmio praticamente só olha para o “próprio umbigo” ao premiar apenas os filmes feitos nos EUA. E, mesmo que eu concorde que existe filme ruim feito nos EUA o suficiente para suprir umas três premiações dessas todos os anos, eu acredito que já passou da hora de expandir esse olhar. Afinal, eu duvido muito que existiu no mundo uma atuação mais digna de ser considerada como “Pior Atriz” em 2016 do que a Kéfera em É Fada!.

É justamente por ser um prêmio que só olha para os EUA que o Brasil nunca foi indicado. Afinal, há décadas nós exportamos apenas o nosso melhor para Hollywood, criando a sensação lá fora de que o “pior” que a gente produz por aqui é o Rodrigo Santoro – um ator muito mais carismático e talentoso do que muito gringo que faz carreira por lá.

A expectativa é de que essa nomeação de Isis Valverde possa abrir um pouco essa barreira que há para levar a sério o cinema nacional. Porque nós não somos um país apenas de filmes incríveis, e temos uma produção robusta o suficiente para competir de igual para igual com os piores enlatados de Hollywood.

Por enquanto, o cinema brasileiro é ainda uma “terra exótica” lá fora, um lugar que só entrega coisas como Central do Brasil, Tropa de Elite, Cidade de Deus, Bacurau, Ainda Estou Aqui O Agente Secreto – filmes que podem ser facilmente os melhores que alguma pessoa já assistiu na vida ou o preferido de alguém em certo gênero.

Mas, para sermos vistos como um país sério, é preciso que nosso catálogo como um todo seja visto. E a gente tem muita bagagem pra ensinar a galera lá fora em como fazer um filme ruim de verdade.

Por isso, é claro que eu vou torcer pelo Oscar do Wagner Moura. Mas pode ter certeza que vou torcer é muito mais pelo Razzies da Isis. Afinal, a gente precisa urgente quebrar esse teto de vidro e fazer o mundo reconhecer que a gente também tem muito ator, diretor e roteirista que, assim como acontece nos EUA, também só tá nessa indústria porque é filho, esposa ou parente de algum grande produtor nacional. E que, assim como eles possuem muita gente famosa que não tem tanto talento, nós temos a possibilidade de criar vozes sem talento por aqui também – e sem a necessidade de todo o aporte financeiro que Hollywood proporciona.

Igual acontece no futebol, nós não apenas criamos craques com pouco investimento – também criamos bagres com pouco investimento. E já passou da hora do mundo abrir os olhos para isso.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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