Por Pedro Zambarda, editor-chefe.
Pedro Paulo Soares Pereira, mais conhecido como Mano Brown, é santista e eu não fazia a menor ideia que ele tinha o mesmo nome que o meu. A exposição Racionais MC’s: O Quinto Elemento no Museu das Favelas, ao lado do Pátio do Colégio, onde São Paulo foi fundada, é uma imersão no passado de Mano no bairro da Liberdade, que era dos negros e não da imigração japonesa.
E é uma imersão em seu crescimento no Capão Redondo, acompanhada pela biografia dos seus irmãos de Racionais: Edi Rock, KL Jay e Ice Blue.
Dei uma passada por lá no dia 31 de agosto. A exposição gratuita recupera trechos do documentário da Netflix do quarteto, objetos pessoais dos integrantes, sua ancestralidade afro, e como a musicalidade deles era enquadrada como “som de bandido” nos anos 1990, uma maneira pejorativa e preconceituosa que ignorava a aula deles contra o racismo, a marginalização.
A mostra vai até 28 de setembro de 2025.
Sobrevivendo no Inferno (1997), a coletânea Racionais MC’s (1994) e até singles como Fim de Semana no Parque (1993) são retratados em cabines que ambientam o tamanho do estouro que foram para o mercado. A história de Josemir Prado, o detento que presenciou o Massacre do Carandiru e cujas palavras se tornaram Diário de um Detento, é explicada de maneira didática ao visitante.
Não é necessário entender a simbologia do Joker, de trabalhos mais recentes dos Racionais. Tudo está didaticamente explicado na mostra de 35 anos do grupo.

A curadora da exposição é de Eliane Dias, com co-curadoria do jornalista Andre Caramante, Jairo Malta e Vitinho RB, além de expografia de Atelier Marko Brajovic e comunicação visual de Vilanismo. A parceria estratégica dessa mostra é da Boogie Naipe.
Essa mostra foi lançada originalmente em dezembro de 2024 e já foi prorrogada algumas vezes. A organização divulgou que cerca de 90 mil pessoas já conferiram o material.
Além da exposição gratuita do Racionais, o Museu das Favelas tem uma mostra fixa que contém um documentário explicando a história da Guerra dos Canudos, que explicita a formação das próprias favelas com militares veteranos que massacraram os seguidores de Antônio Conselheiro e não receberam as moradias prometidas pelas mortes encomendadas pelo governo federal.
Isso gerou um interessante jogo brasileiro chamado Hell Clock, que vale a sua jogatina no Steam.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
