Bowie, Ozzy e morte como arte e espetáculo. Por Pedro Zambarda - Drops de Jogos

Bowie, Ozzy e morte como arte e espetáculo. Por Pedro Zambarda

Como se despedir

Por Pedro Zambarda, editor-chefe.

A morte do também britânico David Bowie, em 10 de janeiro de 2016, pegou em cheio boa parte das pessoas que amo e que admiro. Foi uma porrada, embora o camaleão inglês tenha preparado a audiência nos discos The Next Day (2013) e no próprio Blackstar (2016). Bowie não morreu somente do câncer de fígado diagnosticado 18 meses antes.

Ele tornou teatro a sua própria partida. Depois de uma década meio distante do público. Bowie calculou seus passos até o fim.

Mesmo transformando sua vida, sua aparência física, suas interpretações e sua poesia em arte, a perspectiva de viver num mundo sem David Bowie, sem os sucessores dos Beatles, os reis do rock e do pop, assombra quem aprecia suas músicas. E sinto a mesma coisa pela morte de Ozzy Osbourne hoje.

Embora ele não tenha planejado tanto, tenha quase sucumbido para a cocaína e para a heroína, Ozzy Osbourne resolveu falecer 17 dias depois de fazer o maior show beneficiente para quem sofre de Parkinson, a doença que o levou. Acumulou US$ 200 milhões, quebrando recordes, para instituições de caridade.

Não conseguia ficar em pé no palco no show “Back to the Beginning”, mas sentado de um trono, trouxe o heavy metal de volta, o espetáculo e a despedida.

A vida é melancólica, a vida nos interrompe, a morte leva embora talentos que achamos que seriam eternos.

Bowie planejou a morte aos poucos. Ozzy fez um espetáculo de despedida inesperado. E morreu rodeado de amor.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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