Por Pedro Zambarda, editor-chefe.
Assisti com um misto de fixação e indignação o filme Marty Supreme, indicado a nove categorias no Oscar e sem vencer nenhuma delas. Os irmãos Josh e Benny Safdie dirigiram juntos filmes como Bom Comportamento (2017) e Joias Brutas (2019), aquele do Adam Sandler sério.
Os Safdie se separaram e Josh Safdie é o autor de Marty Supreme, lançado pela A24 em outubro de 2025.
Timothée Chalamet, aquele que ficou ainda mais famoso nas adaptações recentes da ficção científica Duna e também por declarações masculinistas, encarna Marty Mauser. Esse Marty é baseado num jogador de ping-pong real de Nova York chamado Marty Reisman.
A história chegou assim nas mãos do diretor: Sara Rossein, mulher de Josh, estava vasculhando um brechó quando encontrou o livro The Money Player: The Confessions of America’s Greatest Table Tennis Champion and Hustler – em tradução livre, O Jogador de Dinheiro: As Confissões do Maior Campeão de Tênis de Mesa e Jogador da América.
Ela pensou que a autobiografia de 1974 sobre um arrogante prodígio judeu do tênis de mesa chamado Marty Reisman, na Nova York de meados do século poderia interessar ao seu marido. E deu certo.
O enredo que concentra pessoas escrotas
Marty Mauser (Timothée Chalamet) é um sapateiro na Nova York de 1952 que transa com a amiga de infância casada chamada Rachel Mizler (Odessa A’zion) no meio do expediente de trabalho. Ela acaba engravidando. Jogando ping-pong de rua, Marty cresce nas competições, chega no campeonato mundial e perde para Koto Endo (Koto Kawaguchi).
Humilhado pela derrota, Marty entra numa jornada alucinada para conseguir dinheiro e viajar para o Japão e ter sua revanche contra Endo. Nisso ele tenta tirar dinheiro de um empresário chamado Milton Rockwell (Kevin O’Leary) e a atriz rica Kay Stone (Gwyneth Paltrow).
A aventura tem tiroteio, briga, ping-pong, uma banheira que cai em cima de um cachorro e muitos absurdos nas ruas de NYC. Se tivesse uma pegada mais pop, o filme de Josh Safdie seria um Tarantino – embora falte muito sangue.
O jogador de ping-pong Marty Mauser se mostra um ser humano minúsculo, usando mulheres e homens que mal conhece para atingir seus objetivos. E as pessoas que o ajudam também não valem coisa nenhuma.

Uma alta concentração de gente escrota. E é um filme com trilhas dos anos 80.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
