Por Pedro Zambarda, editor-chefe.

Da Fogo Games de Grajaú, periferia de São Paulo, Ghetto Zombies é um grande destaque da cena brasileira de jogos indie neste começo de 2026, desde seu lançamento em 16 de janeiro. O Drops de Jogos tem orgulho de ter levado este título, que tem como publishers Nuntius Games e Vsoo Games, para um vídeo no Meteoro Brasil.
A Fogo também conseguiu um destaque e divulgação no Flow Games, provavelmente o maior canal de videogames no canal. Ou seja, um jogo indie, periférico, chegou em espaços de três e até cinco milhões de visualizações no YouTube.
Dito isso, sobre a campanha bem sucedida de divulgação, Ghetto foi uma demo divertida no Steam e seu game completo entrega. Traz personagens femininas, traz personagens masculinos marcantes e tem mecânicas simples que você pega em poucos minutos. O objetivo é matar zumbis na periferia paulistana e pixar paredes. Toda vez que você faz os desenhos pedidos, aparecem mais monstros, que oscilam entre zumbis rápidos, lentos, gigantes e gosmas com diferentes propriedades.
Você utiliza geralmente três ou quatro armas: Uma pistola com efeito, uma arma manual ou automática tipo metralhadora, uma shotgun e um rifle sniper. O jogo lembra Diablo, Vampire Survivors e até um título brasileiro como Relic Hunters.
Ao selecionar o personagem inicial, que pode ser trocado na jornada, fique de olho nas propriedades dele. Se o seu forte é esquiva, pegue uma personagem rápida. Se você prefere tomar dano e dar porrada além dos tiros, pegue um persogem tanque. Se você não quer nem uma coisa e nem outra, pegue um personagem com bom balancemento de status. Fique de olho nas armas que são superefetivas para determinados monstros.
Na dúvida, a shotgun colada no monstro costuma dar muito dano. E tem até pistola bomba para matar em um ou dois hits.
A praga da repetição
A repetição é o principal triunfo de Ghetto Zombies e seu defeito. A Fogo Games não tentou sair do esquadro e nem inventar elementos que pudessem desbalancear a gameplay. O resultado é uma porção de áreas, destravadas por chaves, que envolvem matar monstros, conseguir armas novas e subir de nível.
O resultado final é enfrentar o monstro-mor, o Fome.
Conclusão
Encarar os monstros de Vila Fundinho, que poderia ser Grajaú, Vila Prudente, Guaianases ou Itaim Paulista, é uma baita jornada com o Esquadrão Z. Os pixel arts são caprichados e mostram que o futuro da cena brasileira virá da periferia, das experiências baseadas na vida cotidiana, de eventos como a PerifaCon.
Ghetto é fruto de edital público, de dinheiro público diretamente investido em game brasileiro, como o edital Proac e outras iniciativas estatais. A dureza é que essas iniciativas não podem parar apenas em Ghetto Zombies
Esse jogo precisa ter sequência, outros jogos que receberam investimento desses editais precisam fazer o trajeto de divulgação em veículos de imprensa e nós precisamos valorizar a produção nacional, a produção que reflete a realidade de quem vida na quebrada, ao mesmo tempo em que entra na ficção de zumbi e de coisas que gostamos.
Ghetto Zombies precisa ser uma porta aberta para vários outros games.
Notas
- Gráficos: 9,5
- Jogabilidade: 8,5
- Som: 8,5
- Replay: 9
- Nota final: 8,75
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
