Hideo Kojima e o ator que chamou Trump de "gangster": Robert De Niro. Foto: Reprodução/Instagram/Wikimedia Commons/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos
Por Pedro Zambarda, editor-chefe.
Com três milhões de visualizações somadas desde 9 de março, Death Stranding 2 ganhou data em um trailer com música de Woodkid (To the wilder) para eu voltar a relacionar videogames e política. Quando recebi a cópia do primeiro game em 2019, o site britânico VG247 já apontava que Hideo Kojima pretendia abordar o muro planejado por Donald Trump nos Estados Unidos.
O muro anti-imigrantes não concretizado no primeiro mandato. Cumprirá o que quer Trump agora?
Prestes a ganhar uma sequência, quase seis anos depois, Death Stranding não tira o peso das mensagens políticas engajadas à esquerda. Pelo contrário. Ganham tração. Por isso cometi este roteiro no canal TV Cringe, do Meteoro Brasil, buscando resumir os dois games.
O mini-doc do Drops de Jogos no canal TV Cringe, do Meteoro Brasil. Assistam. Foto: Reprodução/YouTube/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos
O primeiro game se passava num país fictício chamado América, tomado pelo fim do mundo, pelo isolamento e pelas redes desconectadas. Sam Porter Brigdes reconectou a América. Mas o sonho americano (!) não veio. E eis que somos mergulhados num pesadelo.
O fim do mundo (e Fragile). Foto: Divulgação/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos
Hideo Kojima não precisa escrever que Death Stranding é sobre Donald Trump, assim como não precisou escrever que a franquia Metal Gear fazia sucesso no ocidente enquanto satirizava filmes de ação americanos – Rambo, Fuga de Nova York e outros. No entanto, numa amarra mais firme do que o primeiro DS, o trailer do segundo mostra que a questão não é o território da América, e sim as empresas que privatizaram as conexões pelo mundo e a questão dos imigrantes.
O imigrante “Solid Snake” em Death Stranding 2. Foto: Reprodução/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos
E a luta sobre o pertencimento a uma terra, a uma nação ou a uma humanidade envolve os BBs, bebês que foram instrumentalizados para unir o mundo dos vivos e dos mortos. E um mundo em que condenamos os bebês, um mundo sem futuro, é o mundo do fascismo.
Por isso o questionamento no trailer: “Não deveríamos ter nos conectado”. Pelo menos não para isso. E isso é uma metáfora, sob medida, para a internet nos dias de hoje.
“Não deveríamos ter nos conectado”. Não para isso. Foto: Divulgação/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos
O mundo e Sam Porter Bridges. Foto: Divulgação/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos
A América do primeiro game, assim como Donald Trump, é uma terra cinza, fria. Kojima utilizou captura de movimentos e filmagens na Islândia. Não é o território dos Estados Unidos que conhecemos. É uma terra vazia e desolada, ambientada sob o perigo de bombas nucleares e de fenômenos naturais. A terra do fim do mundo.
Como a América foi conectada, agora Sam vai encarar o resto do mundo, que possui belíssimos desertos, florestas úmidas, enquanto Lou, sua antiga BB, cresce. É o “jogo de pai” no grau máximo.
Os cabelos do personagem parece que crescem ao redor da jornada no segundo game, criando uma sensação ainda maior de caos e de transformação dos ambientes, que já são assombrados por quem você matou (o que é desencorajado) e por quem foi morto e provocou os fenômenos do Death Stranding – similares a bombas atômicas.
A floresta úmida em Death Stranding 2. Foto: Reprodução/YouTube/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos
As montanhas rochosas estão de volta. Foto: Divulgação/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos
As cidades abandonadas a la Last of Us estão no segundo jogo. Foto: Divulgação/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos
Os veículos em Death Stranding 2, bem como seu controle, parecem estar infinitamente melhores. Foto: Divulgação/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos
Além da cena do beijo com Fragile, que sugere que os dois tem uma conexão envolvendo o bebê e a construção de um futuro. Uma luta contra uma sociedade que cultua a morte, surfa numa possível “sexta extinção”, enquanto a outra parte batalha para superar os falecimentos e construir um mundo novo.
É um jogo sobre e contra Donald Trump, a extrema direita e os movimentos fascistas – sem citá-los uma única vez. É um jogo contra a cultura do armamento e das bombas atômicas, que forjou os Estados Unidos da América. É um jogo que aglutina filmes, livros e obras que Kojima visitou e visita.
São dois jogos que constroem uma obra militante, mas que não é panfletária. Que constroem uma gameplay que não é simples de degustar, um enredo que não é simples de entender, e que é riquíssimo em suas referências críticas.
Hideo Kojima dá os passos do que os videogames deveriam ser. E isso não se conecta apenas em dinheiro, volume de vendas ou fórmulas de marketing. É o oferecimento de uma visão de mundo e de um roteiro que capta o nosso zeitgeist, expressão alemã do “espírito do tempo”.
Kojima aborda futurismo, um país distópico e faz plágio dos seus próprios games para contar a nossa história no tempo presente. Fala de um fim de mundo hipotético, para falar sobre o nosso fim de mundo na mão de fascistas.
“Sam” beija “Fragile” e o cuidadoso trabalho de captura de movimentos. Foto: Reprodução
Higgs, a expressão do fascismo dentro do game. Foto: Divulgação/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos
Tomorrow, a nova personagem interpretada por Elle Fanning, e o Higgs do veterano Troy Baker. Foto: Divulgação/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos
Hideo Kojima e o ator que chamou Trump de “gangster”: Robert De Niro. Foto: Reprodução/Instagram/Wikimedia Commons/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos
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