Por Pedro Zambarda, editor-chefe. CONTÉM SPOILERS.
Metal Gear Solid 3 Snake Eater, de 17 de novembro de 2004, foi um game que, em muitos aspectos, mudou minha vida. Como fã de filmes de 007 James Bond, o título da Konami e de Hideo Kojima deturpava o herói americano em um enredo com os Philosophers e a luta de vida e morte entre Naked Snake e The Boss.
A sequência final da mestra contra seu pupilo me emociona até hoje. Assim como a descoberta que ela nunca traiu os EUA ao fazer o jogo da União Soviética em 1964. O jogo é tão bom que arrisco que este é o primeiro Metal Gear que você deveria jogar.
Não precisa saber nada sobre a história da franquia para adentrar no jogo.
E é justamente por essas sensações que achei que Metal Gear Solid Delta Snake Eater, o remake de 28 de agosto de 2025, estraga um pouco aquele Metal Gear redondinho de 11 anos atrás.
Faltou refazer o remake
Metal Gear Solid Delta: Snake Eater é o que o fã chato sempre quis: Um remake com todos os objetos nos mesmos lugares. Cenários de PlayStation 2 na engine Unreal em PlayStation 5 ou PC. Um espetáculo visual, mas limitado.
Primeiro vamos começar pelas boas notícias: Há uma gameplay moderna que traz um pouco de Metal Gear Solid V The Phantom Pain, de 2015, para tornar Naked Snake/Big Boss um personagem mais ágil e realista. No entanto, as camuflagens criadas em 2004 estão lá. Os menus burocráticos também.
Explico: Em 2004, MGS3 trouxe a mecânica as roupas e camuflagens para esconder Snake no cenário, instigando mais os jogadores a apelarem ao stealth para não se expôr demais aos soldados. O problema é que essa mecânica, burocrática em Delta de 2025, acabou me levando a agir como Rambo na selva e matando o máximo de militares inimigos do cenário.
O segundo problema que aparece é que a inteligência artificial dos oponentes funciona exatamente como 2004. Então, não espere militares inteligentes para você enfrentar. Eles parecem stormtroopers, sim aqueles de Star Wars, atirando. Pegam bem os barulhos se você não usar uma arma com silenciador. Mas as nuances das reações são poucas.
Sensação de jogo sem muita abertura
Não vou mentir: GTA V, The Witcher 3 e Metal Gear Solid V The Phantom Pain estragaram minha percepção em games 3D. Você fica esperando cenários grandes e amplos, com inúmeras chances de ação. Por isso, Metal Gear Solid Delta estreita sua percepção. É ir do ponto A até o ponto B.
Os chefões da milícia Cobra Unit – The Pain, Sorrow, The End, The Fear, The Fury – estão em um espaço de eventos muito colados. As lutas não são muito surpreendentes. Pain enfraquece quando as abelhas estão distantes. Para Sorrow, basta morrer e usar a pílula de ressurreição (ou usar fake dead pill e fazer a mesma coisa). The Fear é sacar como funciona sua camuflagem ou usar a visão de calor. Fury morre rápido se você explodir barris inflamáveis se ele não te ver e o corpo dele estiver perto.
Até The End, que me parecia desafiador 20 anos atrás, só exigiu paciência e observação do cenário. Enquanto o sniper de mais de 100 anos usava um rifle de tranquilizantes, você pode metralhá-lo se ele não te ver antes.
O desafio fica com a The Boss e seu CQC, close quarter combats, que desmonta sua arma em punho. Se você não equipar a arma no mano a mano, dá pra fuzilar ela se você não for visto.
Metal Gear Solid Delta, jogado anos depois de MGS3, me passou a sensação de Metal Gear Solid 2 Sons of Liberty (2001) e Metal Gear Solid 4 Guns of Patriots (2008): É um filme animado, com poucas partes de gameplay.
Metal Gear Solid Delta, assim como Metal Gear Solid 3, é muito necessário
Apesar das críticas que faço ao game ser muito datado como remake, seu enredo era necessário em 2004 e é muito fundamental em 2025/2026. Essa obra de Hideo Kojima, que não está presente no remake e que não irá jogá-lo, ajuda a mostrar que os Estados Unidos da América foi muito manipulador e criminoso na Guerra Fria e em sua história.
Kojima também inclui no enredo geopolítico a história mais densa da URSS, através do vilão Volgin e do anti-herói e agente triplo Ocelot, além da China representada por Tatyana/EVA.
É uma história de espiões, bombas atômicas, crianças submetidas ao perigo nuclear e até sobre uma vilã, que na verdade é heroína, que é uma mãe. A The Boss.
A transformação dos The Philosophers em The Patriots mergulha a franquia Metal Gear em uma série de jogos para tentar explicar todos os pontos desatados por seu criador. E explicados superficialmente no quinto capítulo da série, The Phantom Pain, de 2015.
A Konami também respeita a história de Kojima para a empresa, embora sua despedida não tenha sido nada boa no fim de Phantom Pain, que tem ares de jogo incompleto. A desenvolvedora japonesa, no entanto, deveria repensar os próximos remakes.
Metal Gear Solid 2 Sons of Liberty e Metal Gear Solid 4 Guns of Patriots merece novos jogos que reimaginem os seus mundos. Botar um game com as mesmas mecânicas e apenas gráficos melhores e de ponta é pouco. É muito bom voltar a ouvir a voz de David Hayter como Snake. Me fez lembrar por qual razão eu considero os videogames uma mídia de ponta.
Mas podemos inovar mais. Podemos ousar muito mais.

Notas
- Gráficos: 10
- Jogabilidade: 7
- Som: 8
- Replay: 8
- Nota final: 8,25
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
