O Cavaleiro dos Sete Reinos entrega tudo em uma piada de cocô - Drops de Jogos

O Cavaleiro dos Sete Reinos entrega tudo em uma piada de cocô

Os primeiros cinco minutos de O Cavaleiro dos Sete Reinos tem o melhor uso de piada de cocô para explicar uma trama já visto na TV.

(Imagem: captura de tela/HBO Max)

[Atenção: este texto tem spoilers sobre o primeiro episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos]

Eu já falei aqui como o O Cavaleiro dos Sete Reinos é na realidade uma sitcommas eu acho que a melhor piada que o episódio de estreia teve foi a primeira – e justamente uma piada de cocô.

O episódio começa com nosso (ainda não auto-nomeado) Ser Dunk enterrando Ser Arlan de Pennytree, o cavaleiro a quem ele serviu por anos como escudeiro. Ele começa a conversar com si mesmo sobre o que fazer agora: ele poderia vender os cavalos, mas o dinheiro só o sustentaria por um tempo; ele precisa arranjar um novo emprego. Ele então pensa em talvez rumar para Porto Real e se alistar na Guarda da Cidade. Afinal, é um lugar onde ele poderia usar suas habilidades com espada para o bem.

Aí ele então lembra que está para começar um torneio na cidade de Ashford, e ele tem tudo para ser um cavaleiro. Afinal, ele foi (supostamente)treinado para isso, e tem uma espada e três cavalos. Ele parece ter feito sua decisão, e a câmera mostra seu olhar resoluto enquanto os primeiros acordes da música tema de Game of Thrones começam a tocar no fundo.

(Imagem: captura de tela/HBO Max)

O tema vem crescendo, um pouco mais alto a cada nota. E então, é subitamente cortado por barulhos estranhos mas facilmente reconhecíveis por qualquer pessoa, seguido por uma cena de Ser Dunk literalmente cagando no mato.

(Imagem: captura de tela/HBO Max)

Esses cinco minutos são absolutamente geniais, porque eles definem exatamente o que podemos esperar não apenas da história, mas também do protagonista.

Primeiro, entendemos Dunk como uma pessoa inocente. Não burro – apenas inocente. Ele não é burro porque ele entende exatamente o dilema em que se encontra: sem um cavaleiro para seguir, ele não só acabou de perder o trabalho de escudeiro, mas também o seu lugar no mundo. A partir de agora, cabe a ele decidir quem será.

Mas, apesar de conseguir entender o dilema em que se encontra, Dunk ainda é uma rara mente inocente em um mundo tão conturbado como Westeros. E isso fica claro quando, ao pensar em entrar para a Guarda da Cidade em Porto Real, a primeira reação dele foi em como seria legal proteger uma mulher de ser estuprada. Não o acesso à nobreza, a possibilidade de levantar uma grana com propinas ou todas aquelas outras coisas horríveis que vemos os integrantes da Guarda fazendo em Game of Thrones ou A Casa do Dragão. Dunk pensa apenas em como esta é uma posição em que ele pode ser pago para fazer o bem – como salvar uma donzela de se estuprada – e essa é uma prova de como ele ainda não foi corrompido pelo mundo de traições e manipulações que sabemos que é um padrão em Westeros.

Mas a mensagem mais clara é justamente na piadoca envolvendo diarreia. Porque ela não é apenas uma piada digna de quinta série envolvendo cocô, mas a forma como ela é usada diz muito do que podemos esperar da trama. A escolha de colocar os ruídos do trato digestivo – seguido da imagem de Dunk cagando atrás da árvore – como algo que corta todo o clima épico que estava sendo criado pela música tema de Game of Thrones deixa bem claro uma coisa: O Cavaleiro dos Sete Reinos não é esse tipo de conto épico que estamos acostumados.

Os cinco minutos iniciais do primeiro episódio – que terminam pontuados pela cena da caganeira – deixam bem claro que o que está em jogo aqui é algo bem mais banal. Não iremos acompanhar uma disputa mundial pelo trono, uma luta pela sobrevivência da humanidade ou a guerra civil entre dois ramos de uma família que controla o equivalente a um arsenal de bombas atômicas da fantasia medieval. Esta é apenas a história de um cavaleiro errante que não é exatamente um cavaleiro de verdade, mas precisa fingir ser um para tentar garantir um prato de comida no fim do dia.

E você pode gostar ou não da cena em si (afinal, tem gente que tem aversão com esse tipo de coisa escatológica), mas a função dela é muito bem sucedida: esqueça todas as suas expectativas baseadas na sua experiência com o mundo de Game of Thrones, porque aqui a coisa vai ser diferente. Não só no sentido de que a história e seus personagens não terão toda aquela pompa ao qual estamos acostumados, como também a a série não estará acima de fazer piadocas óbvias de nível quinta série se assim quiser.

É ali que O Cavaleiro dos Sete Reinos deixa claro se você vai curtir ou não essa nova abordagem dentro do mundo de Westeros. E foi ali que eu tinha absoluta certeza de que isso iria ser a melhor coisa já produzida no mundo de Game of Thrones desde o Casamento Vermelho.

*O primeiro episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos já está disponível na HBO Max.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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