O Cavaleiro dos Sete Reinos tem "o molho" - Drops de Jogos

O Cavaleiro dos Sete Reinos tem “o molho”

Após apenas quatro episódios, O Cavaleiro dos Sete Reinos já tem tudo para ser o novo padrão de qualidade no gênero de fantasia.

(Imagem: divulgação/HBO)

[Atenção: este texto tem spoilers sobre a primeira temporada de O Cavaleiro dos Sete Reinos]

Nós já estamos cansados de saber que o ator Wagner Moura tem “o molho”. Mas sabe o que também definitivamente tem “o molho”? A série O Cavaleiro dos Sete Reinos.

Eu já escrevi um pouco sobre algumas temáticas mais “curiosas” dela (mais especificamente um pênis gigantesco, uma piada de cocô e o fato da série ter um formato mais próximo de uma sitcom), mas eu quero deixar uma coisa bem clara e que eu acho que não comentei muito nos outros textos: a série é boa. Mas boa tipo BOA. MUITO BOA. Mas MUITO BOA MESMO.

Com quatro episódio passados (e mais dois para vir), é bem possível que O Cavaleiro dos Sete Reinos já seja a minha série de GoT preferida – sim, acima de A Casa do Dragão e até mesmo do Game of Thrones original. E existem alguns motivos bem claros para isso.

Primeiro, o tempo: com episódios que variam entre 30 e 40 minutos, o sentimento é que o que vemos em O Cavaleiro dos Sete Reinos é uma narrativa que condensa apenas aquilo que há de melhor. Não há cenas extras que servem apenas para causar repulsa ou mostrar como “olha só como esse mundo é diferente de todas as outras histórias de fantasia! Nós temos racismo e violência sexual contra mulheres.” Cada palavra falada, cada gesto, cada olhar tem um objetivo muito específico de ou avançar a trama ou nos mostrar alguma complexidade emocional na vida dos protagonistas.

Segundo, é uma série que retorna para aquilo que fez de Game of Thrones o fenômeno que foi durante toda a década de 2010: pessoas conversando em salas. Como já disse Tyrion Lannister, “a verdadeira história do mundo é a história de grandes conversas que aconteceram em sala elegantes.” para OCdSR, troque as salas elegantes pelo céu estrelado, a proteção dos galhos de um grande olmo, ou uma tenda improvisada de acampamento. Os lugares não são elegantes, mas a série se mantém fiel a essa fala com algumas das conversas mais emocionais e sinceras já escritas por George R.R. Martin.

(Imagem: divulgação/HBO)

E isso só é possível pela dinâmica incrível que os atores Peter Claffey (Dunk) e Dexter Sol Ansell (Egg) possui não apenas entre eles, mas com qualquer outra pessoa com quem contracenam. Apesar de, num primeiro momento, parecer que iremos ver mais uma história de “lone wolf e cub” (um “lobo solitário” que adota um “filhote” perdido e ensina a ele a realidade do mundo ao mesmo tempo que o filhote o “amolece” e permite que ele entre em contato com sentimentos que ficaram muito tempo escondidos), na realidade ela se torna uma história onde ambos são o “lobo solitário” e o “filhote” ao mesmo tempo. Dunk conhece bem todas as dificuldades de quem nasceu sem absolutamente nada (nem dinheiro, nem nome, nem amigos) tem para conseguir sobreviver, mas é totalmente alheio às realidades dos relacionamentos entre nobres, a quem ele idealiza como se fossem todos os cavaleiros justos e honradas celebrados pelas canções; já Egg conhece bem a realidade das tramas palacianas e de um secto de cavaleiros que venderiam toda a honra por glória e status social, mas é totalmente alheio às dificuldades cotidianas enfrentadas pelas pessoas que não nasceram em berço de ouro.

E o fato de toda a história ser contada pela perspectiva de Dunk ajuda a tornar tudo mais focado e fácil de compreender. E ainda que seja interessante observar as complexas intrigas palacianas, é uma mudança bem-vinda acompanhar de perto um personagem que é um herói no sentido mais puro da palavra: alguém com valores morais bem definidos e que não pensa duas vezes antes de colocar a vida em risco para ajudar alguém mais fraco.

Ao contar a história de uma figura extremamente rara em Westeros – alguém que é bom de verdade, que acredita na justiça e que faz o bem mesmo que isso não lhe traga nenhuma vantagem pessoal – O Cavaleiro dos Sete Reinos nos oferece um tipo de olhar sobre este mundo que até então ainda não tínhamos. E ao contrastar o arquétipo de herói clássico com um mundo onde o egoísmo e a ambição comandam, ajuda a tornar o mundo de Game of Thrones ainda mais interessante.

Ainda faltam dois episódios para terminar a temporada e, pelo que foi mostrado até aqui, eu não acredito que eles serão uma decepção que nos deixará com um gosto amargo na boca e a sensação de que merecíamos algo muito melhor (como foi com a última temporada de Game of Thrones). E mesmo que ainda estamos em fevereiro, em duvido que teremos dez séries melhores do que O Cavaleiro dos Sete Reinos lançadas este ano.

Ser Lyonel Baratheon já é um dos grandes personagens de Westeros (Imagem: divulgação/HBO)

Depois de muito tentar, a HBO finalmente conseguiu entregar uma história de fantasia com o mesmo padrão de qualidade das primeiras temporadas de Game of Thrones. E se a direção do canal não se deixar se levar novamente pela megalomania e entender que os fãs gostam mais de diálogos de qualidade, dilemas morais complexos e narrativas que fogem do padrão esperado do que grandes batalhas com muito CGI, O Cavaleiro dos Sete Reinos tem tudo para manter esta qualidade por várias temporadas e fazer com que a HBO tenha mais uma vez uma série que vai se tornar o padrão de qualidade de todo um gênero.

*Os quatro primeiros episódios de O Cavaleiro dos Sete Reinos já estão disponíveis no catálogo da HBO Max.

Veja nossa campanha de financiamento coletivo, nosso crowdfunding.

Conheça os canais do Drops de Jogos no YouTube, no Facebook, na Twitch, no TikTok e no Instagram.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments