Por Pedro Zambarda, editor-chefe.
Eu recebi, da PlayStation, uma cópia de Death Stranding em 2019, durante o lançamento. Um cópia de PlayStation 4. Rachei com meu irmão a gameplay e zerei o jogo no comecinho de 2020, traçando paralelos do seu enredo maluco, entre vivos e mortos, com a pandemia do novo coronavírus. Hideo Kojima despontou com um anti-Metal Gear num período histórico complicado.
O game é cativante por sua jogatina elaborada. Andar nele é um desafio e os combates só se desenvolvem no final. No entanto, Kojima sempre faz referências a si mesmo e não consegue desenvolver diálogos com mais simplicidade ou adaptabilidade ao roteiro distinto da distopia nuclear e thriller de espionagem de títulos anteriores.
Kojima criou um game sobre paternidade, família, conexões, fim do mundo com diálogos intermináveis. Ele flerta o surrealismo de David Lynch – e fala sobre isso em um documentário na Disney Plus – mas torna algumas ambientações finais simplesmente um looping de repetições, enquanto ele mantém suspense sobre a ligação familiar entre Cliff e Sam Porter Bridges, pai e filho.
Mantém oculto que Amélie/Bridges é a verdadeira Entidade da Extinção dos humanos e que usou o repatriado imortal Sam para seus propósitos. Tudo isso recheado pelo paralelo entre Mario e Peach em Super Mario – sendo que a Nintendo foi referência fundamental para Hideo Kojima. No entanto, o encaixe do diálogo beira a galhofa.
O jogo brilha na cena final, na conexão entre Lou e Sam, pai e filha, passando pela tragédia do avô.
É o abismo, que se encontra com a ponte e com o futuro.

É tosco, mas vale muito a pena pelo argumento – e o final, entre lutas de boss finais – demora seis horas se você considera o último continente parte disso. Ou pelo menos duas horas depois de derrotada a baleia final. Surreal.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
