Ozzy Osbourne. Foto: Reprodução/Bilboard
Por Pedro Zambarda, editor-chefe.
Quando a internet estava engatando nos anos 2000, Ozzy Osbourne solo e depois Black Sabbath foram as primeiras bandas que consegui uns MP3 para ouvir. Crescido numa casa em que meus pais ouviam demais Beatles e Pink Floyd, o Sabbath engatou toda a minha adolescência tipicamente paulistana de classe média.
“Led Zeppelin de pobre”, “guitarras sujas”, “som do trabalhador”, tudo isso me atraiu no Black Sabbath a ponto de eu comprar uns nove discos, ver os shows deles quando vieram ao Brasil. E o Ozzy encarnava isso, junto com a guitarra demoníaca de Under The Sun. O final dessa música, fechando o Volume 4, o melhor disco deles na minha opinião, era destruidor.
Mas óbvio que eu gosto de clichês.
Paranoid, War Pigs e o próprio Black Sabbath de 1970 mostram que, para além das influências de Lennon, McCartney e dos hippies, Ozzy e sua banda foram iniciadores do heavy metal, além de proto-punks e de todas as derivações intermináveis do rock. Era companhia nos meus fones de ouvido, no Discman e depois no iPod (e só no fim no celular) nas andanças pela Galeria do Rock. Eu andava com gente vestida de preto e esquisita. E adorava isso.
Ronnie James Dio foi outra grande voz do Sabbath, mas era preferível ouvir a banda solo de Ozzy com Randy Rhoads e depois com Zakk Wylde. A vida de Rhoads foi abreviada por um acidente aéreo que nunca seria superado por Ozzy Osbourne.
Ozzy falava com carinho de Randy, com amor, e não era a toa. Crazy Train é imortal, seguida por Bark at the Moon e Mr. Crowley. A habilidade do seu guitarrista rivalizava com sua voz – mas dotada de uma técnica neoerudita de virtuosismo.
Tem muitas músicas que não entram nesse texto pela minha absolutamente falta de tempo e cabeça para absorver esse luto. E eu gostava de discos menos badalados do Sabbath, como Technical Ecstasy, com It’s Allright (sem Ozzy nos vocais e Bill Ward arrebentando sozinho), além de Gypsy.
Ozzy não tinha medo de parecer pop, não tinha medo de meter teclados no lugar das guitarras distorcidas e trevosas que tornaram sua música famosa. Não tinha preocupação em cuidar da sua voz ou da sua saúde. Ficou fodido nas drogas. Mergulhou num reality show sem noção na TV. E fez um último show, pouco antes de morrer de Parkinson, sentado num trono como o Príncipe das Trevas, trabalhando até o último dia de sua vida.
Quando sai da faculdade de jornalismo, não pretendia ser editor de um site de tecnologia e games. A meta era ser repórter de cultura do caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, cobrindo shows.
Cobri alguns. Me diverti.
E fiz isso muito instigado pelo espetáculo selvagem, trevoso, que era Ozzy Osbourne, morto hoje aos 76.
Ozzy Osbourne. Foto: Reprodução/Bilboard
Obrigado por me doutrinar na sua música. Por me tornar homem adulto no entretenimento e no trabalho.
Desenvolvedores que ainda não se inscreveram para a principal competição de jogos independentes do Hemisfério…
Boa cabeça