Prefaciado pelo ministro Guilherme Boulos, livro Tecnologia Sem-Teto é introdução ao MTST e à inovação como política pública - Drops de Jogos

Prefaciado pelo ministro Guilherme Boulos, livro Tecnologia Sem-Teto é introdução ao MTST e à inovação como política pública

Livro que não tem medo de abordar, até por um viés revolucionário, a união de tecnologia e política

Por Pedro Zambarda, editor-chefe.

No livro Internet Heroes Brasil, que eu escrevi e publiquei em 2017, afirmei que acreditava na tecnologia como ferramenta de mudança social. Publicado pela Dandara Editora e pelo Núcleo de Tecnologia do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, o MTST, o livro Tecnologia Sem-Teto é a materialização das minhas ideias.

Citando seu prefaciador, o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência de Lula, Guilherme Boulos: “É comum acharmos que a tecnologia seja neutra. Alguns a veem como extensão natural do capitalismo, instrumento inevitável de exploração. Outros a cultuam como um tipo de magia que vai resolver todos os nossos problemas por conta própria. Nenhum dos dois caminhos nos serve. Depende de quem a controla, para quê, e a partir de quais interesses. O nosso é o interesse popular”.

Boulos dá o tom do livro de 136 páginas, curtinho, e o pesquisador internacional Rafael Grohmann explicita que a esquerda está atrasada nesse debate. Recebi o livro de presente do meu amigo Bruno Stephan durante a PerifaCon 2025 e o manuscrito, escrito de forma comunitária, explica muito bem como o MTST se tornou esse movimento a partir de 1997, fortemente inspirado pelo MST e pelas lutas do campo.

E o estilo do texto não deixa de fugir do seu propósito enquanto movimento social: Ele busca incluir os periféricos e aqueles que não possuem moradia no contexto de um mundo ultraconectado, seja para ocupar esses meios, uma vez que o acesso se dá quase de forma limitada pelo celular, seja para se apropriar dos meios, pregando sim uma via revolucionária. De mudar a lógica de um universo tomado por bilionários que querem apenas aumentar as suas grandes margens de lucro.

Como grande feito do Núcleo de Tecnologia do MTST, nessa história contada, os autores apontam a criação das Cozinhas Solidárias na pandemia da Covid-19, que alimentaram de graça as pessoas mais necessitadas, acompanhada por conexões de wi-fi nos locais de prestação de serviço. O Núcleo presta um atendimento de infraestrutura do movimento social, de cursos e de letramento tecnológico. Um trabalho que dará ainda mais frutos no longo prazo.

As cozinhas acabaram, pelas mãos de Boulos eleito deputado federal, antes de assumir o ministério do governo Lula, se tornando uma política pública permanente, como é o Bolsa Família e outras.

Diferentes passagens do livro também apontam o papel socializante da plataforma gov.br para as populações periféricas, algo que é desenvolvido em artigos do site Código Aberto. O livro também conta a história de políticas públicas bem-sucedidas, como os Telecentros, os Pontos de Cultura, além da formação de instituições importantes para o bem público, como o Comitê Gestor da Internet no Brasil, o CGI.br, que fornece informações de credibilidade sobre a conectividade do país. Livro é recomendado e embasado em intelectuais como o sociólogo Sérgio Amadeu, Nina da Hora, Walter Lippold, a parlamentar Ediane Maria, entre outros.

Num momento excelente do livro, já da metade para o final, ele traz a “lógica da gambiarra” e as experimentações do Núcleo com seus games indie: Surf Terminal, Caso de Polícia, Amor Por SP, Imobilidade Urbana, Quem Tem Fome Tem Pressa e Saindo do Buraco, último jogo dedicado aos entregadores precarizados pela uberização. Também credita o trabalho de pesquisadores importantes da área dos videogames, apontando a crise e os layoffs, como Ivan Mussa e Beatriz Blanco. Além de eventos e iniciativas realmente indies como a Firma GameDev.

Se você quiser tirar conhecer mais sobre tudo o que foi mencionado, compre o livro aqui para fortalecer um movimento social de esquerda e as discussões sobre política e tecnologia que precisam ser aprofundadas.

Tecnologias podem ser, e precisam ser, ferramentas à serviço da sociedade e não de poucos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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