Resenhas

Review de Broken Sword – Shadow of the Templars: Reforged. Por Gabriel “Fauno” Zissou

Publicado originalmente no site Patobah, republicado com permissão do autor e com participação do nosso parceiro História e Games, perfil declaradamente de esquerda no Instagram. Conheça aqui.

Agradecimentos à Revolution Software pela licença

Versão Mobile

Data de lançamento: 19 de setembro de 2024 (PC);
Plataformas: PC (Steam), Xbox Series, PlayStation 5, Android, MacOS;
Desenvolvedor: Revolution Software Ltd;
Distribuidor: Revolution Software Ltd;
Gênero: Point and click, narrativa.

Um remaster legítimo da época de ouro dos jogos “point-and-click”

Broken Sword: Shadow of the Templars é um jogo genial, que ficou muito tempo enterrado nas catacumbas do gênero “point-and-click” febre dos anos 90, nos PCs e jogos de Playstation. Um café, uma bomba e o logo da empresa Revolution Software ficou marcado na memória dos que tiveram uma infância ou juventude carinhosa com os jogos desse estilo e a franquia Broken Sword é o marco de uma geração. Esse marco está de volta, em sua versão remasterizada, que ganhou o complemento “Reforged”.

E bom, se você não ouvir falar desse jogo, é uma pena, porque o jogo continua excelente como antigamente. Claro, uma boa análise de um jogo antigo remasterizado pede que tiremos nossos óculos de nostalgia e falemos sobre como o jogo se compara a outros jogos do gênero em 2025. Mas a grande verdade é que o gênero “point-and-click” está esquecido, como mostra o declínio da própria franquia Broken Sword e de remasters incríveis de grandes jogos como Grim Fandango, mas que têm muita dificuldade de acessar o grande público. Seja por uma impossibilidade de novas mecânicas ou um gênero ultrapassado por si mesmo, poucos exemplos modernos de “point-and-click” existem para comparar, considerando que o gênero evoluiu na direção de jogos narrativos como os jogos da Telltale ou Oxenfree e Spiritfarer.

A verdade é que Broken Sword – Shadow of the Templars: Reforged é exatamente como você se lembraria do jogo original. Os gráficos estão limpíssimos e o som perfeito, diferente das versões datadas de PC e Playstation 1. Mas talvez essa seja a grande qualidade desse remaster: trazer a mesma experiência com os gráficos e uma narrativa que já eram incríveis em seu tempo. O jogo te permite mudar nas opções o gráfico para a versão original e é aqui que se atesta essa diferença cuidadosa.

Shadow of the Templars apresenta a história de George Stobbart, um turista americano que testemunha uma explosão em um café em Paris. O culpado? Um palhaço. Isso faz George viajar ao redor do mundo, eventualmente percebendo que ele tropeçou em um mistério envolvendo os Cavaleiros Templários. Com a ajuda do jornalista francês Nico Collard, cabe a George (e você) parar os planos malignos em andamento, em uma narrativa inspirada nas clássicas aventuras de Indiana Jones e TinTin.

Como todo bom “apontar-clicar”, você viaja por várias cenas (muito lindas e bem desenhadas), conversando com personagens diferentes, coletando pistas e soluções para quebra-cabeças. O objetivo principal é dar sentido em tudo e tentar puxar o fio do mistério maior da história.

O trabalho feito pela Revolution Software em Reforged é muito bom e merece reconhecimento. Broken Sword possui características atemporais de um gênero que está no passado, mas ainda possui muito brilho e cativa com uma boa história e puzzles divertidos. A desenvolvedora poderia ter optado por refazer totalmente o jogo, incluindo a produção de cutscenes de última geração, mas escolheram manter o espírito e alma originais do jogo, o que é claro, é o grande charme aqui. Quem dera, outros jogos tivessem seguido essa linha e mantido sua originalidade de forma sagaz.

As linhas de voz são as mesmas linhas aprimoradas, mas não somente: os desenvolvedores utilizaram linhas originais que foram gravadas nos anos 90, mas não foram utilizadas. E pode confiar: algumas trazem informações adicionais bem legais para a história. Shadow of Templars se concretiza na sua versão Reforged, o que deveria ser originalmente, mas sem as restrições da tecnologia dos anos 90. Os personagens soam iguais, se movem com as mesmas animações e mantém o mesmo senso de autenticidade que o original, mas dá um verniz muito necessário depois de todos esses anos, consertando uma antiga reclamação minha: uma interface velha e irritante. Tudo isso foi corrigido em Reforged e agora a interface é elegante, intuitiva e fácil de usar.

Fosse só por essas novidades, Broken Sword Reforged seria apenas um jogo medíocre para 2025, mas não é o caso aqui: o jogo se supera de uma forma importante, através da acessibilidade. Talvez um dos grandes motivos pelo qual o “apontar-clicar” aos poucos foi sendo esquecido é a dificuldade dos puzzles, natural do gênero. Não é incomum o jogador ficar horas tentando passar de uma fase complicada, o que pode ser frustrante, principalmente para um jogo moderno.

Reforged oferece dois modos: Modo Clássico e Modo História, desenvolvido para tornar a jogabilidade mais acessível para iniciantes. O Modo Clássico é a versão original do jogo, com todas as suas dificuldades. Já o Modo História, com certeza é algo que vai te convencer a jogar um “point-and-click”, se você não está acostumado com o gênero. O modo conta com um sistema de dicas genéricas simples, que a cada 30 segundos, você pode revelar uma dica, que vai te colocar no caminho certo. Essa mecânica é simples, mas genial, porque mantém o poder de escolha nas mãos do jogador, com relação à dificuldade. Tá indo bem e quer mais desafios? Ignore as dicas ou troque pro Modo Clássico. Tá sofrendo em um puzzle e só quer 1 dica pra te ajudar? 2 dicas? 3 dicas? Todas as dicas e só curtir a história? Tudo isso é possível e encaixa de uma forma que realmente dá uma cara de “remake” ao que parecer ser simplesmente um “remaster”.

Além disso, o jogo também dá uma mão ao jogador eliminando coisas que você examinou e interagiu sem utilidade, eventualmente reduzindo suas opções para guiá-lo na direção certa. Ficar parado por tempo suficiente, fazem brilhos aparecer de onde você pode procurar. Se ficam difíceis de enxergar, eventualmente um círculo azul destaca o ponto de progresso também. Felizmente, os dias que você perdia uma excelente história por conta da dificuldade de quebra-cabeças acabaram e eu sempre vou defender esse tipo de decisão como uma qualidade.

Mas calma fãs hardcore! Esse novo sistema é totalmente opcional e você pode até personalizar para misturar os modos Clássico e História. Você pode escolher os aspectos que deseja adaptar à sua maneira e até mesmo mudá-los durante a gameplay, no menu de pausa.

CONCLUSÃO

Shadows of the Templars continua sendo um dos melhores jogos de apontar e clicar disponíveis, um clássico do gênero nos anos 90 com excelente história, escrita, narrativa, personagens, diálogos quebra-cabeças e inteligência. Mesmo em 2025 é o melhor do melhor que se tem no gênero.

O único ponto negativo, talvez seja você não gostar de jogos “apontar-clicar”. Mas aí é contigo, né?

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