Review de Metal Eden. Por Gabriel “Fauno” Zissou - Drops de Jogos

Review de Metal Eden. Por Gabriel “Fauno” Zissou

Review/Resenha

Publicado originalmente no site Patobah, republicado com permissão do autor e com participação do nosso parceiro História e Games, perfil declaradamente de esquerda no Instagram. Conheça aqui.

Agradecimentos à Deep Silver pela chave de imprensa. Versão de Xbox Series S.

Data de lançamento: 2 de setembro de 2025;
Plataformas: PC, Xbox Series S|X e PlayStation 5;
Desenvolvedor: Reikon Games;
Distribuidor: Deep Silver;
Gênero: Ação, aventura, FPS.

Antes de mais nada, agradecemos aos queridos da Deep Silver por nos enviarem a chave de Metal Eden para Review. O jogo foi zerado na dificuldade normal, em 6 horas e meia, no Xbox Series S e eu conto aqui para vocês um pouco da minha experiência.


PREMISSA/NARRATIVA

Metal Eden é uma grata surpresa em diversos sentidos. E logo ao iniciar o jogo, nos deparamos com uma das suas maiores qualidades: a simplicidade. Nada de menus complexos, diversas opções de gráficos ou interface, apenas o necessário! Metal Eden não conta com um modo multiplayer, tampouco é composto por diversos modos de jogo, então a coisa aqui é simples: uma campanha, 8 fases com uma boa duração e lotadas de adrenalina e estatísticas ao final de cada uma para comparar e fazer inveja nos amigos.

A premissa da história de Metal Eden é muito simples: em um futuro em que a humanidade não conseguiu colonizar planetas e os recursos naturais da Terra acabaram, a estação espacial Moebius foi construída e lá, foram guardadas as cópias digitais de milhões de seres humanos. Por meio dessa empreitada revolucionária, a humanidade abandonou o conceito de estar presa em seu próprio corpo e se tornou uma massa digital, composta por várias consciências individuais e digitalizadas. Maluquice total, né?

O jogador assume o controle de Aska, uma “Consciência HYPER”, munida de experiência militar e uma incrível submetralhadora automática, que possui uma missão misteriosa, enquanto é guiada pela filosófica voz sem rosto de “Nexus”, o que parece ser uma consciência coletiva de almas digitalizadas. Aska é jogada logo no tiroteio e Metal Eden possui uma qualidade bem similar à vista em Doom 2016: uma rápida cutscenes, o despertar da personagem, uma arma na mão e muitos inimigos pelo caminho.

Mas antes de falarmos mais sobre a gameplay, irei comentar um pouco mais sobre a curiosa história de Metal Eden, evitando, ao máximo, possíveis “spoilers”. Existem momentos geniais do desenvolvimento da história e do mundo, que seriam um crime não serem comentados aqui. Por exemplo, a voz “Nexus” que acompanha Aska, explica o mundo da estação de Moebius e a história da humanidade, de forma bem crítica, o que lembra muito a personalidade rebelde de Johnny Silverhand lá de Cyberpunk 2077.

No entanto, Aska e Nexus não estão sozinhos no mundo e outros personagens são introduzidos no decorrer da excelente história de Metal Eden. À princípio, confesso que fiquei um pouco perdido com a narrativa em meio ao caos dos tiroteios e adrenalina constante das missões do jogo. Mas aos poucos, me foi apresentada uma história densa e profunda, que expõe uma “lore” rica, que com certeza pode render outras histórias dentro desse universo. Por isso, Metal Eden requer que o jogador preste atenção aos breves diálogos que acontecem entre as seções de combate, porque eles são curtos, mas diretos e pouco expositivos. De fato, parece que os devs da Reikon Games capturaram bem a essência de que “mais é menos” e amarraram uma narrativa direta, assim como Doom 2016.

Mas infelizmente, o jogo perde ritmo aos 45 minutos do 2º tempo, o que é uma pena! Sem dar spoilers, mas o final apresenta um “plot twist” amargo, que quebra o excelente tom construído pela narrativa até então. A luta contra o chefe final é mais fácil do que deveria ser e o final da história corre muito rápido e explica muito pouco, deixando mais dúvidas do que respostas e não de um jeito muito bom.

GAMEPLAY/JOGABILIDADE

Mas Metal Eden não é só narrativa e conta com uma gameplay muito sólida, com muito destaque para a “gunplay”. A movimentação de Aska é muito rápida e a personagem pode correr, pular, andar pelas paredes, se esquivar e dar um duplo pulo muito generoso. A gameplay de Metal Eden de fato é uma mistura muito interessante entre Doom 2016 e Cyberpunk 2077 e mistura a “gunplay” de ambos os jogos de uma forma muito competente. Para quem ama a adrenalina de um jogo de tiro em primeira pessoa (FPS), com movimentação muito rápida e curte os títulos que eu mencionei, assim como Titanfall e Apex Legends, vai realmente amar a gameplay de Metal Eden.

Para balancear a gameplay frenética, há a questão da duração das fases, que não são muito longas, mas são na medida certa e possuem uma boa duração. E ainda bem! Assim como Doom, as fases de Metal Eden são lotadas de pura adrenalina e o fim da missão acaba sendo uma pausa necessária de todo o estímulo e reflexos que são exigidos do jogador

Dificuldade normal é acima da média do que estamos acostumados, então quem deseja jogar o game pela história, vai querer ir de “modo fácil”. Contudo, as dificuldades superiores são bem desafiadoras e a dificuldade “brutal” requer quase perfeição de movimentos. Apesar disso, todas as dificuldades são super justas e abraçam todos os públicos de um FPS: o que está pela gameplay e o que está pela história. E acredite, como eu disse: a história é incrível e vale muito a pena, apesar do tropeço final.

Já a progressão das fases é rápida e para balancear, a progressão de personagem é bem devagar, gerando alguns picos de dificuldade caso o jogador escolha um upgrade que não é tão útil para si naquele momento. Isso só é um problema nas dificuldades mais difíceis, mas o maior problema acaba sendo uma sensação de que falta algo. Isso acontece, porque não é possível desbloquear todos os upgrades na primeira “run” do jogo, o que deixou uma sensação de que Aska não terminou o jogo tão forte quanto deveria estar. Claro, eu zerei o jogo no “normal”, não ter alguns upgrades não me atrapalhou, de fato. Mas imagino que os jogadores do “brutal” sentirão mais esse defeito.

O arsenal de Metal Eden também é bem interessante e traz armas com propósitos bem variados dentro da gameplay. Algumas podem ser mais fortes contra armaduras e outras causam mais dano à saúde, mas há uma submetralhadora que é incrível em abater alvos aéreos, uma arma de plasma que come escudos e uma escopeta que pode disparar até 3 vezes seguidas. Até a conclusão do jogo, quase todas as armas se mantêm relevantes, incluindo a 1ª arma do jogo. Uma exceção é o revolver, que apesar de útil no começo, perde totalmente sua utilidade para uma arma de raios.

Outro modo curioso de gameplay é o que eu gostei de chamar de “modo bola”. De um jeito bem Metroid, Aska vira uma bola igual Samus e pode rolar pelos cenários mais amplos, trazendo uma variedade para algumas seções de gameplay.

Só que eu não poderia falar de gameplay, sem falar de gráficos e performance. Metal Eden foi jogado no Xbox Series S e foi uma baita experiência satisfatória. O jogo está rodando em 1080p nativos, sem perda de resolução, a uma taxa super estável de 60 quadros por segundo. Por ser um jogo muito frenético e com muitas coisas acontecendo na tela, imaginei que teria quedas de taxas de quadros ou “screen tearing”, mas mesmo com o VSync desligado, a experiência visual foi perfeita. Além disso, noticiei pouquíssimos bugs, como raros “clipping” (atravessar) de parede e não tive 1 crash em toda minha experiência.

A trilha sonora de Metal Eden é incrível e apesar de não ficar grudada na cabeça por causa da curta duração do jogo, é memorável e deixa uma sensação de “quero mais”. Misturando batidas de cyberpunk com “synthwave”, a música dos combates combina demais com a gameplay frenética e tiroteio desenfreado.

Os atores que emprestaram seus rostos e vozes aos personagens são carismáticos e apesar de não aparecerem muito nas “cutscenes”, fazem um excelente trabalho de voz para passar emoções da narrativa, tanto em inglês, como em português. A dublagem ficou muito competente e torna os personagens de Metal Eden muito convincentes.

CONCLUSÃO

No fim, só me falta RECOMENDAR totalmente Metal Eden. É um projeto e um jogo que foi feito com carinho, paixão e teve excelentes inspirações. Os desenvolvedores souberam juntar todos os seus jogos favoritos em um projeto que deu muito certo. É claro que Metal Eden possui alguns deslizes, principalmente na parte final de um jogo, que já é curto. Infelizmente, isso acaba pesando mais do que deveria. Mas de forma alguma tira o mérito de um jogão, que traz uma narrativa envolvente, personagens carismáticos, uma excelente gameplay e uma sensação de adrenalina que eu normalmente só tenho, quando jogo Doom.

Metal Eden é uma jóia rara, que dá com o pé na porta e impõe muito respeito no meio de um gênero cansado, como os “FPS”. Às vezes, é melhor fazer algo pequeno, denso e bem feito, do que algo gigante, ruim e sem alma. Que bom, que Metal Eden tem muita alma.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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