Sol Cesto: um mundo sem luz. Por Victor Hidalgo - Drops de Jogos

Sol Cesto: um mundo sem luz. Por Victor Hidalgo

Você trocaria seus dentes por uma chance maior de encontrar um tesouro?

Por Victor Hidalgo, jornalista e autor do canal na Twitch Camarada Hidalgo. Também no YouTube.

Eu nunca joguei um roguelike como Sol Cesto, um jogo no qual a sua sorte será testada a cada nova partida. A premissa é simples e apresentada logo no início do jogo com uma animação 2D muito bonita com um resumo das mecânicas que você irá encontrar ao adentrar a masmorra, além dos perigos que te esperam nas sombras. Em um mundo onde jogos independentes desse mesmo estilo saem todos os dias, o que essa produção tem de novo para se destacar da concorrência e prender a sua atenção no seu loop de gameplay? Ele tem algumas coisas a seu favor, dentre elas a sua direção de arte. 

O estilo escolhido pelos desenvolvedora francesa Tambouille, em conjunto com Géraud Zucchini e Chariospirale, tem inspirações em iluminuras medievais, miniaturas coloridas e ornamentações de manuscritos medievais que retratavam figuras humanas, animais e grafismos diversos para decorar as páginas. A própria interface do jogo lembra um manuscrito com diversos detalhes coloridos e interativos para o jogador interagir. É como um acompanha um quadrinho espanhol dos tempos medievais com um pouco de Mike Mignola. Para mim, é o ponto mais forte do jogo. 

O gameplay parece simples num primeiro momento. Você entra na masmorra e na tela central se depara com quatro colunas na vertical e horizontal, como um tabuleiro. Em cada casa de cada uma das colunas, pode ter uma armadilha, um inimigo, tesouro ou um morango para você recuperar sua vida. Em qual casa da coluna que seu personagem vai cair vai depender da probabilidade, ou seja, sorte. Você tem dois status principais que vão ditar o quanto de dano você pode dar e mitigar. Mas diferente de outros jogos, você sempre mata o inimigo na casa que você cair, a diferença é o quanto de dano você vai aguentar. Digamos que uma gosma tem um ponto de magia e você também tenha um ponto na mesma habilidade, você derrota o monstro e não sofre dano. Mas se tiver zero, toma um ponto de dano na sua vida total. 

Como todo jogo do gênero, quanto mais você descer na masmorra, mais você consegue manipular os resultados a seu favor. Você pode encontrar um ferreiro que vai fazer um upgrade em um dos seus pontos de dano base, uma vendedora com alguns itens que podem te auxiliar na sua jornada e um balde para subir suas moedas de ouro extra para a superfície, para serem usadas para desbloquear novos personagens e outras vantagens na masmorra. 

Um dos principais upgrades que você consegue descendo as fases e matando monstros para liberar cada nova sala, são os dentes. Isso mesmo, de vez em quando uma sala com uma gárgula aparece com dentes para você escolher e colocar na sua boca. Cada um deles influencia a probabilidade de cair em cada bloco. Seja com um monstro, uma armadilha ou um tesouro. Por exemplo: um dente de baú aumenta em 50% a sua chance de cair no baú de tesouro na linha que você escolher clicar, mas também aumenta em 17% a chance de cair num bloco com um monstro do tipo força, não magia. Se você investiu em força, isso acaba sendo positivo para sua run, mas se for um personagem focado em magia, você ganha um e perde outro. 

E como todo jogo do gênero, se você tentar ser ganancioso demais na sua jornada, pode acabar morto no meio do caminho e perder todo o seu precioso ouro. Até eu entender a mecânica dos personagens e desbloquear o primeiro heroi, o guerreiro, fui fundo na masmorra com o meu pequeno camponês em busca do que sobrou do sol.   

 Apesar de ter gostado do jogo pelo seu charme, inovação e direção artística, saí dele com a impressão de que esse é apenas o jogo base e que algo maior ainda está sendo construído para o futuro, e o sucesso do jogo garantiu isso. A história de descer até as profundezas do mundo em busca do sol que fugiu do céu, enfrentando monstros que agora andam livres para caçar os humanos que sobraram é interessante, e queria que ela fosse mais explorada de alguma forma. 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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