Por Pedro Zambarda, editor-chefe.
Publiquei, em 7 de janeiro, uma pequena resenha sobre o livro O Anticoach, de Adriano Viaro. Quem quiser entender o texto como um todo, recomendo o review e a própria obra, a primeira de Viaro entre muitas, com um vomitório de insatisfações contemporâneas e a formulação de problemas epistemológicos.
Mas queria fazer um comentário, à parte, sobre as leituras de Viaro a respeito do filósofo conservador Luiz Felipe Pondé, que considero um dos formuladores da extrema direita mais recente no Brasil. Viaro leu Pondé em profundidade e se considera pondeniano, embora seja um escritor e um historiador progressista e antirracista.
Escrevi sobre Pondé em 2014, chamando-o de ressentido com o meio universitário. Certamente Viaro tem uma afinidade com determindas críticas acadêmicas do pensador. No entanto, as conclusões da linha de raciocínio pondenianas, ao meu ver, conduzem a um ceticismo absoluto e, por outras vias, a um coach de direita. Talvez não tão vocal quanto Pablo Marçal e o segmento empresarial, mas dá para afirmar, sem medo de errar, que Luiz Felipe Pondé foi muito bem adaptado às novas realidades de mercado coaching.
No que amarra em outra crítica que Viaro faz dentro do livro, sobre a infantilização dos adultos, pessoas com mais de 30 anos que não saem da casa dos pais, e a criminalização da paquera confundida com assédio sexual e crimes da misoginia. Adriano Viaro tenta estabelecer critérios das relações íntimas contemporâneas bebendo de um certo conservadorismo, mas entendendo sim que o assédio e o racismo devem ser criminalizados e sem cair na polícia da linguagem ou no politicamente correto – formas novas de conservadorismo por vias supostamente progressistas.
Mesmo assim, me questiono se Pondé é uma boa fonte nesses casos, pelas leituras que fiz a respeito dele na imprensa, nos poucos livros dele que li e no papel nefasto de normalização da extrema direita que ele fez antes da pandemia.

O debate, no entanto, segue muito válido.
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
