Sony vai enfiar a faca na PS Plus para garantir lucro de acionistas - Drops de Jogos

Sony vai enfiar a faca na PS Plus para garantir lucro de acionistas

Em apresentação para acionistas, CEO da Sony deixou claro que vai continuar aumentando o preço da PS Plus pra não deixar a receita cair.

(Imagem: montagem por Rafael Silva/Drops)

Nesta sexta (13) aconteceu uma apresentação anual da Sony para os seus acionistas, e nela tivemos uma confirmação não muito boa para os fãs: a PS Plus deverá continuar sofrendo aumento de preços.

Em uma apresentação sobre o segmento de Games & Serviços de Internet da Sony, Hideaki Nishino (CEO da Sony Interactive Entertainment) e Hermen Hulst (CEO da PlayStation Studios) confirmaram para os acionistas que o objetivo da empresa continuará sendo garantir o máximo de lucro para eles.

Para conseguir isso, eles garantiram que continuarão melhorando a oferta da PS Plus, mas que também continuarão fazendo ajustes nos preços para não deixar o lucro cair. Ou seja, esses ajustes deverão ser sempre pra cima, e nunca na diminuição do preço das assinaturas.

Eles também divulgaram alguns números da PS Plus: em 2022, 17% dos assinantes faziam parte do plano Premium (ou Deluxe aqui no Brasil), que é o modelo de assinatura mais cara. Em 2024, esse número chegou a 22% dos assinantes.

Também houve um ligeiro aumento no plano Extra, de valor intermediário: em 2022, 13% dos assinantes da PS Plus faziam parte deste plano, e em 2024 este número chegou a 16%. Enquanto isso, as receitas geradas pelas assinaturas representaram 14% de toda a divisão PlayStation, enquanto em 2022 as assinaturas eram 13% das receitas.

PS Plus capengando, e é a gente que paga

Um resumo bem claro do que está acontecendo: a PS Plus não está crescendo o esperado, e por isso a mensagem de que eles estão dispostos a continuar ajustando os preços para manter o lucro é necessária.

E aí você pode se perguntar “mas isso é um tiro no pé, porque vai afastar o jogador de querer continuar assinando”. Mas é aí que você se engana, porque a principal preocupação da Sony não é em agradar os jogadores; é agradar seus acionistas. Por isso a mensagem clara de que eles estão dispostos a fazer de tudo para manter a margem de lucro, já que os números não mostram um cenário bom para as ações da empresa.

Pra ser bem claro: os números apresentados não são bons. Não apenas o aumento de cerca de 3% nos planos de assinatura mais caros é muito pouco para um período de dois anos, o fato de que as receitas da PS Plus se mantiveram praticamente as mesmas (com um aumento marginal de 1%) nesse mesmo período deixa claro que o sistema de assinatura da Sony não está funcionando como esperado.

E isso fica claro até na forma como os números são informados: a apresentação fala sobre o crescimento da quantidade de assinantes do PS Plus que passou a pagar pelos níveis mais caros do plano (que dão acesso a uma biblioteca de jogos de PS1, PS2, PS3, PS4 e PS5), mas não fala nada sobre o número total de assinantes PS Plus. E provavelmente nada foi dito sobre isso porque os números continuam caindo.

Segundo dados da Statista, o pico de assinantes da PS Plus aconteceu em março de 2021, quando o serviço atingiu 48 milhões de usuários. Curiosamente, este foi o mesmo mês que muitos jogadores vão dizer que foi o último “bom” da Plus, que foi quando o serviço deu Final Fantasy VII Remake aos assinantes. Na época, a assinatura anual do serviço ainda era R$149,90 no Brasil, ou US$59,99 nos EUA, e ele ainda não tinha os três tipos de assinatura atuais.

Desde então, o serviço vinha apresentando tendência de queda, e em março de 2023 a Sony anunciou que não iria mais divulgar o número total de assinantes do serviço. Nesta época o serviço já tinha os três tipos de assinatura, com o plano anual da Essencial custando R$199,90, o anual da Extra custando $339,90, e o anual da Deluxe custando R$389,90.

Já no momento da publicação deste artigo, o plano anual da PS Plus Essencial custa R$359,90, um ano do plano Extra custa R$592,90, e um ano do plano Deluxe sai pela bagatela de R$691,90. Isto significa que, nos últimos dois anos, o plano mais barato da Plus teve um aumento de preço de cerca de 80%, enquanto no plano intermediário o aumento foi de cerca de 75% e, no plano mais caro, aproximadamente 77%.

E, se formos considerar desde o pico de assinaturas do serviço em 2021, se manter como assinante ficou de 140% a 361% mais caro, dependendo do seu tipo de assinatura. Claro, aqui estou falando do Brasil, mas esse aumento dos valores foi meio que geral: nos EUA, quando comparamos com março de 2021, hoje é entre 33% e 166% mais caro, dependendo do tipo de assinatura (Essencial, Extra ou Premium).

Quando comparamos o quanto o valor dos planos subiu com o quanto a receita com a PS Plus gerou a mais para a Sony nos últimos dois anos (1%), a conclusão é apenas uma só: o número de assinantes no total continua caindo, e os aumentos de preços – que em mercados como o Brasil estão quase que anuais, e sempre subindo entre 20% e 30% a cada aumento – servem para garantir que essa diminuição do número de assinantes não afete a receita geral. Porque, ao não afetar a receita geral, o lucro dos acionistas está garantido em pelo menos um padrão mínimo.

E essa “problema” não é do ecossistema de assinaturas em geral, mas especificamente do serviço da Sony. Como podemos ver no gráfico abaixo, o número de assinantes do Game Pass cresce quase que exponencialmente a cada ano.

Número de assinantes do Game Pass entre fevereiro de 2020 e fevereiro de 2024 (Imagem: Statista)

De acordo com o mais recente relatório fiscal da Microsoft, esse crescimento quase que exponencial do Game Pass continua, com a assinatura da Microsoft sendo a grande responsável pelo aumento de 5% das receitas da divisão de videogames da empresa – inclusive compensando uma queda na venda de consoles e acessórios.

Uma noção errada que muita gente ainda tem é de que as empresas precisam satisfazer seus consumidores para viver. E isso é verdade até certo ponto. Se você é um mercadinho de bairro, sua filosofia é sim “o cliente tem sempre razão”, porque o seu negócio vai ser um sucesso ou um fracasso pela forma como você trata o seu cliente.

Mas, para uma empresa do tamanho da Sony, a frase mais correta é “o acionista tem sempre razão”. Seu objetivo principal não é oferecer bons produtos e serviços aos seus clientes – isso é um objetivo secundário. O objetivo principal de qualquer empresa deste tamanho é garantir o lucro de seus acionistas.

E é exatamente isso que a Sony vai continuar fazendo: se ela precisar aumentar os preços e diminuir a quantidade de jogos oferecidos pela PS Plus para garantir o lucro dos acionistas, ela irá fazer isso sem pensar duas vezes.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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