Na Octans, agência de conteúdo e SEO B2B, conduzimos uma pesquisa analisando 3.836 posts de 220 criadores brasileiros no LinkedIn, distribuídos em 10 setores. O objetivo: descobrir o quanto esses padrões aparecem por aqui — e o que eles fazem com o engajamento.
O que são os cacoetes de IA
O conceito vem de um estudo americano publicado pelo Search Engine Land em fevereiro de 2026, que analisou criadores de língua inglesa. A ideia é simples: modelos de linguagem como o ChatGPT têm tendências estilísticas próprias. Quando você pede um post pronto e publica sem editar, essas marcas ficam — como um sotaque que denuncia a origem do texto.
Para a versão brasileira, desenvolvemos um sistema de detecção automática de 12 padrões, calibrado por dois ciclos de validação humana. Alguns exemplos:
- Falso insight: a estrutura “não é sobre X. É sobre Y.” usada para criar uma falsa revelação.
- Fragmentação dramática: frases picotadas para gerar suspense. “Não é sorte. É método. É consistência.”
- Pergunta retórica: “A solução? Simples.” — pergunta e resposta coladas, sem função real.
- Formatação artificial: listas com emojis como marcadores em todo parágrafo.
- Travessão dramático: o uso excessivo do travessão para criar pausa teatral.
O dado que mais surpreendeu
Mais da metade dos posts analisados — 56% — tinham pelo menos um desses padrões. Isso por si só já diz algo sobre o quanto a IA entrou na rotina de produção de conteúdo no Brasil.
Mas o número que mais chamou atenção foi outro: posts que acumulam cinco ou mais cacoetes têm 52% menos engajamento do que posts sem nenhum. E não é um efeito isolado. À medida que os padrões se acumulam num mesmo texto, o engajamento cai de forma consistente.
No nível do criador, o contraste é ainda mais claro. Os perfis que menos usam esses padrões têm, em média, 2,2 vezes mais engajamento do que os que mais usam. E os 13 criadores que não apresentaram nenhum cacoete nos posts analisados registraram 3,3 vezes o engajamento médio geral.
O Brasil usa menos — mas o efeito é o mesmo
Aqui está o achado mais interessante para quem acompanha cultura digital. Na comparação com o estudo americano, os criadores brasileiros usam esses padrões com frequência muito menor. O travessão dramático, por exemplo, aparece em 62% dos posts em inglês, contra menos de 19% no Brasil.
A hipótese mais plausível é que brasileiros editam mais o texto antes de publicar — adaptam, cortam, reescrevem. Mas quando os padrões aparecem, a penalização no engajamento é praticamente a mesma dos dois lados. Ou seja: não se trata de um preconceito linguístico contra a IA. Trata-se de algo mais profundo sobre como leitores reagem a textos que soam automáticos.
Onde o efeito é mais forte
O impacto não é uniforme. Ele depende muito do formato e do setor.
Em texto puro e em artigos, o efeito é mais intenso. Faz sentido: quando não há imagem nem vídeo para distrair, a qualidade da escrita carrega todo o peso da impressão. Já em posts com imagem, o visual absorve parte da atenção e suaviza o efeito.
Por setor, Tecnologia e Produto e Educação são os mais penalizados. São áreas onde escrever com clareza e autenticidade é parte da expectativa do público — e onde o texto “montado” destoa mais.
O que fazer com isso
A conclusão da pesquisa não é “pare de usar IA”. Ferramentas de IA são úteis e vieram para ficar. O ponto é outro: o problema não está em usar IA, está em publicar o resultado sem editar.
A IA entrega um rascunho competente, mas genérico. Como exploramos no blog da Octans, o trabalho de transformar esse rascunho em algo que soa humano — cortar a fragmentação dramática, eliminar o falso insight, deixar o texto respirar — é o que separa o conteúdo que engaja do conteúdo que passa batido.
Para quem produz conteúdo profissionalmente, a lição é direta: a vantagem competitiva não está em produzir mais rápido com IA. Está em editar melhor o que a IA produz.

Pesquisa conduzida pela Octans, agência especializada em conteúdo e SEO B2B. A metodologia completa, os dados e o painel com os 12 padrões estão disponíveis no estudo completo.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
