Durante décadas, o Brasil foi um figurante discreto nos Jogos Olímpicos de Inverno. O país tropical, presente na competição desde Albertville 1992, nunca havia subido ao pódio. O melhor resultado era o modesto nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross em Turim 2006. Tudo mudou em fevereiro de 2026, quando a bandeira verde-amarela finalmente tremulou no topo de uma montanha italiana.
Momentos marcantes e a repercussão do ouro brasileiro
O ouro inédito de Lucas Pinheiro Braathen
Em 14 de fevereiro, Lucas Pinheiro Braathen venceu o slalom gigante em Milano Cortina 2026, conquistando a primeira medalha do Brasil na história dos Jogos Olímpicos de Inverno. O Brasil e a América do Sul tiveram sua primeira medalha no evento, e ela é de ouro, graças ao esquiador nascido na Noruega, que abandonou a aposentadoria para representar a nação de sua mãe.
O interesse do público brasileiro cresceu de maneira expressiva durante os Jogos de 2026. Milhões de espectadores acompanharam as provas pela primeira vez, e plataformas como a Odds Scanner Brasil registraram um aumento na busca por informações sobre modalidades de inverno, reflexo de um engajamento inédito dos torcedores com competições na neve.
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A repercussão internacional da vitória brasileira
O Comitê Olímpico Internacional elegeu os melhores momentos de Milano Cortina 2026, e uma votação popular escolheu o ouro inédito de Lucas Pinheiro Braathen como a cena mais marcante da edição. O feito foi amplamente celebrado no cenário esportivo global como símbolo de diversidade e superação de barreiras geográficas.
Segundo o próprio atleta após a prova, ele esquiou “completamente de acordo com a intuição e o coração”. Com a conquista, o Brasil entrou para a seleta lista de países campeões olímpicos do slalom gigante, ao lado de Áustria, Suíça, Itália, França, Noruega, Estados Unidos, Suécia e Alemanha. De acordo com o Comitê Olímpico Internacional, a vitória representou um avanço para atletas de países sem tradição nos esportes de inverno.
Na trajetória que pavimentou o ouro, um momento especial ocorreu em Levi, na Finlândia, onde Braathen se tornou o primeiro atleta do Brasil a vencer uma etapa de Copa do Mundo em esportes de inverno. Ao longo do ciclo, ele acumulou mais de 20 pódios em Copas do Mundo, consolidando-se como referência absoluta no esqui alpino mundial. A soma dessas conquistas olímpicas do Brasil nos esportes de inverno redefiniu a percepção internacional sobre o potencial esportivo do país.
Avanços nas Paralimpíadas de Inverno
Resultados inéditos e crescimento da delegação
O ciclo de conquistas não se limitou aos Jogos Olímpicos. A delegação brasileira nos Jogos Paralímpicos de Inverno 2026 foi formada por oito atletas, todos beneficiários do Programa Bolsa Atleta. A estreia do país no evento ocorreu em Sochi 2014, com dois atletas. Quatro anos depois, foram três representantes, antes de alcançar seis em Pequim 2022, número agora superado com a maior delegação já enviada à competição.
Os resultados em Milano Cortina 2026 superaram todas as expectativas. Cristian Ribera conquistou a prata no sprint do esqui cross-country sitting em 10 de março, garantindo a primeira medalha paralímpica de inverno da história do Brasil. Aline Rocha avançou à final do sprint pela primeira vez e obteve o melhor resultado feminino da história do país nos Jogos Paralímpicos de Inverno, com a quinta colocação.
Cristian Ribera havia sido campeão mundial no sprint sitting em 2025 e conquistado o Globo de Cristal como campeão geral da Copa do Mundo na temporada 2024/2025. A prata em Milano Cortina coroou anos de preparação. Segundo o Olympics.com, foi “também o primeiro pódio da América do Sul em todas as 15 edições da competição” paralímpica de inverno.
O futuro do Brasil nos esportes de inverno
Metas, investimentos e preparação para 2030
Os próximos Jogos Olímpicos de Inverno estão programados para acontecer entre 1º e 17 de fevereiro de 2030, na região dos Alpes Franceses, marcando o retorno do maior evento de esportes de neve à França depois de décadas. Será a quarta vez na história em que os Jogos de Inverno serão realizados no país.
Os efeitos positivos de Lucas Pinheiro Braathen sobre o Time Brasil já se notavam antes dos Jogos: novos atletas com raízes brasileiras que competiam por outras nacionalidades se juntaram à equipe, e o desempenho de Lucas contribuiu para que o Brasil obtivesse vagas adicionais no esqui alpino.

Bandeira do Brasil. Foto: Wikimedia Commons
O desafio agora é transformar marcos individuais em um programa sustentável de médio prazo. O ouro de Braathen e a prata de Ribera provaram que o país tropical pode competir no mais alto nível da neve. Resta saber se essa janela histórica se converterá em legado permanente.
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