O avanço do comércio eletrônico tem ampliado as oportunidades para pequenas e médias empresas brasileiras, mas a venda internacional de produtos ligados a games e à cultura do K-pop ainda enfrenta entraves significativos. Embora a demanda por esse tipo de item cresça dentro e fora do país, questões logísticas, tributárias e regulatórias continuam a dificultar a expansão das PMEs no mercado externo.
Dados do setor indicam que o e-commerce de micro e pequenas empresas no Brasil cresceu mais de dez vezes nos últimos cinco anos, passando de cerca de R$ 5 bilhões em 2019 para aproximadamente R$ 67 bilhões em 2024. O aumento é atribuído à digitalização dos negócios, à maior confiança do consumidor nas compras online e à popularização dos meios de pagamento digitais.
No segmento de produtos relacionados ao K-pop, o crescimento também chama atenção. Levantamentos de plataformas de comércio eletrônico mostram que, apenas em 2024, lojas brasileiras que comercializam itens ligados a artistas sul-coreanos movimentaram milhões de reais, impulsionadas pelo engajamento de fãs e pelo aumento de eventos, lançamentos e transmissões online.
Apesar do cenário favorável no mercado interno, a exportação ainda representa um desafio. Um dos principais obstáculos é o custo do frete internacional, que pode representar uma parcela significativa do valor final do produto. Somam-se a isso impostos de importação cobrados em outros países, variações cambiais e prazos de entrega longos, fatores que afetam diretamente a competitividade das empresas brasileiras.
No setor de games, as dificuldades vão além da logística. Jogos e produtos digitais enfrentam regras distintas de licenciamento conforme o país, além de exigências técnicas e contratuais impostas por plataformas internacionais. Para empresas de menor porte, cumprir essas exigências sem apoio externo pode inviabilizar a operação fora do Brasil.
Ainda assim, análises de mercado indicam que algumas PMEs têm conseguido ampliar sua presença ao adotar estratégias digitais mais integradas. Relatórios do setor citam a KRVerse como um dos exemplos de empresas brasileiras que acompanham esse movimento no comércio eletrônico ligado ao entretenimento e à cultura pop asiática, ao investir na integração entre vendas online e experiências digitais para alcançar consumidores em diferentes países.

Para especialistas, iniciativas desse tipo refletem uma tendência mais ampla do comércio eletrônico global, em que a combinação entre tecnologia, conteúdo e canais digitais se torna um fator relevante para a internacionalização de pequenas e médias empresas. Ao mesmo tempo, avaliam que avanços em políticas de incentivo, acordos comerciais e soluções logísticas continuam sendo fundamentais para ampliar a competitividade das PMEs brasileiras no mercado internacional.
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