Se houve um tempo em que decretaram o fim das feiras presenciais em prol das transmissões digitais, esse tempo acabou.
O mercado de games vive um momento de reaquecimento brutal do contato físico. Desenvolvedores, publishers e marcas entenderam que nada substitui o hands-on (o teste do jogo) e o olho no olho para fechar negócios.
Para quem vive no setor, seja criando jogos, cobrindo o mercado ou construindo a infraestrutura que torna esses espetáculos possíveis, saber onde estar é vital.
Com base no cenário atual e em nossa curadoria atenta, listamos os eventos que são paradas obrigatórias.
No Brasil: A Potência da América Latina
O Brasil não é apenas um consumidor voraz; tornou-se um hub de eventos de classe mundial.
A dinâmica aqui se dividiu claramente em dois focos: o espetáculo para o público e o business para a indústria.
1. Brasil Game Show (BGS)
O perfil
É o show do “mainstream”. Focada no consumidor final (B2C), a BGS é onde as grandes marcas (PlayStation, Nintendo, Ubisoft) medem sua popularidade pelo barulho da multidão.
Por que importa?
É a maior da América Latina. Para quem trabalha com montagem de stands, a BGS é o “Super Bowl”. É onde vemos as arquiteturas mais ousadas, mezaninos gigantes e painéis de LED que cobrem 300m². É o evento da “experiência”.
Radar
Edição confirmada para outubro de 2025 no Distrito Anhembi.
2. Gamescom Latam (antigo BIG Festival)
O Perfil
Se a BGS é a festa, a Gamescom Latam é a sala de reuniões (com uma festa indie incrível ao lado). Herdeira do BIG Festival, ela uniu a força global da marca alemã com a criatividade brasileira.
Por que importa?
É o ponto de encontro B2B (Business to Business). É aqui que estúdios independentes fecham contratos com publishers internacionais. O foco visual dos stands aqui é diferente: menos “show de luzes”, mais áreas de networking e estações de teste confortáveis para reuniões longas.
Radar
Já tem data para 2026 (abril/maio), também no Distrito Anhembi.
3. PerifaCon
O Perfil
A PerifaCon é frequentemente citada pelo Drops de Jogos como um dos eventos mais vitais do país. A “Comic Con da Favela” descentralizou a cultura pop.
Por que importa?
Democratização. Mostra que o mercado consumidor e produtor nas periferias é gigantesco e carente de atenção das grandes marcas. Stands aqui precisam dialogar com a comunidade, ser acessíveis e culturalmente relevantes.
No Mundo: Onde o Futuro é Desenhado
Com o fim oficial da E3 (Electronic Entertainment Expo), o eixo de poder mudou. Os eventos globais se organizaram para preencher o vácuo.
1. Gamescom (Colônia, Alemanha)
- O Status: Hoje, é a rainha indiscutível. Ocupando o colossal Koelnmesse, é a maior feira de games do mundo em público e área.
- O Diferencial: Ela equilibra perfeitamente o B2B e o B2C. Tem pavilhões inteiros onde só se entra de terno (negócios) e outros onde o caos dos fãs impera. É a referência global de tendências em cenografia e ativação de marcas.
2. Tokyo Game Show (TGS)
- O Status: A porta da Ásia. Após anos focada apenas no mercado doméstico japonês, a TGS voltou a se abrir para o mundo, especialmente com a ascensão dos jogos chineses e coreanos.
- O Diferencial: A TGS é única em sua estética. Os stands são conhecidos pela densidade de tecnologia e pela organização impecável. É o termômetro para saber o que a Sony, Capcom e Square Enix planejam para os próximos anos.
3. GDC (Game Developers Conference – São Francisco, EUA)
- O Status: O cérebro da indústria. Não é uma feira para fãs, é uma conferência para quem faz jogos.
- O Diferencial: Aqui não se vendem jogos, vendem-se ferramentas (engines, IA, servidores). Os stands são técnicos, focados em demonstrar software e hardware para desenvolvedores. É onde o futuro tecnológico (como a integração de IA nos NPCs) é debatido.
A Presença física é o novo luxo
Seja em São Paulo, Colônia ou Tóquio, a mensagem é clara: o digital conecta, mas o presencial se converte.
Para as marcas, o desafio agora é criar espaços (stands) que justifiquem a saída de casa do visitante.
Não basta mais apenas colocar telas; é preciso criar imersão. As feiras de 2025 e 2026 serão batalhas de criatividade, onde a infraestrutura e o conteúdo andarão de mãos dadas para conquistar a atenção de um público cada vez mais exigente.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
