(Créditos: Pexels/Kindel Media)
A insuficiência venosa crônica é uma condição que afeta as veias das pernas, prejudicando o retorno do sangue ao coração. Embora seja frequentemente associada à presença de varizes, a preocupação com a aparição da doença vai muito além de questões estéticas, pois ela pode causar uma série de sintomas físicos que impactam diretamente a qualidade de vida.
A boa notícia é que, com diagnóstico e cuidados adequados, é possível controlar os prejuízos desta condição e evitar complicações mais sérias.
A insuficiência venosa crônica ocorre quando as veias das pernas não conseguem transportar o sangue de volta ao coração de maneira eficiente.
Em um sistema venoso saudável, válvulas localizadas dentro das veias se abrem e fecham para direcionar o fluxo sanguíneo na direção correta. Quando essas válvulas falham ou há dano na parede das veias, o sangue tende a se acumular na região inferior das pernas, causando o que se chama de refluxo venoso.
Esse acúmulo aumenta a pressão venosa e pode levar a sintomas como dor, inchaço e alterações específicas na pele.
Para orientar o diagnóstico e o tratamento da insuficiência venosa, os médicos utilizam a classificação CEAP, sigla que representa quatro aspectos da doença: C (clínico), E (etiológico), A (anatômico) e P (patofisiológico).
No aspecto clínico, a condição é dividida em estágios de gravidade crescente, de acordo com os sinais visíveis e os sintomas apresentados:
A insuficiência venosa crônica pode surgir por diferentes mecanismos. Em alguns casos, a pessoa já nasce com malformações nas veias das pernas. Em outros, a doença se desenvolve ao longo da vida por conta de fatores que comprometem o funcionamento adequado das válvulas venosas, ou que danificam as veias mais profundas.
Entre as causas mais comuns estão:
Além das causas diretas, existem fatores de risco que favorecem o desenvolvimento da doença, como:
Os sintomas variam de acordo com a gravidade da doença e tendem a piorar ao longo do dia, principalmente após longos períodos em pé. O calor e o sedentarismo, por exemplo, podem agravar os sintomas.
Entre os principais sinais estão:
O diagnóstico da insuficiência venosa crônica é feito por um médico especialista, geralmente um cirurgião vascular ou angiologista. A avaliação clínica leva em conta os sintomas, o histórico do paciente e o exame físico das pernas.
Para confirmar a presença de refluxo venoso e identificar a extensão do comprometimento, o exame mais utilizado é o ecodoppler venoso (também conhecido como exame Doppler ou ultrassonografia Doppler). Esse método permite observar o fluxo de sangue nas veias em tempo real e identificar falhas no funcionamento das válvulas.
O tipo de tratamento escolhido pelo médico vai depender do estágio da doença e do impacto que ela causa na vida do paciente. Em geral, os especialistas adotam uma combinação de abordagens, que vão desde mudanças no estilo de vida até procedimentos cirúrgicos, se necessário.
Medidas conservadoras costumam ser indicadas nos casos leves a moderados, ajudando a aliviar os sintomas e evitar a progressão da doença. Nesta abordagem, recomenda-se medidas como:
Em alguns casos mais intensos de insuficiência venosa crônica, o médico pode prescrever medicamentos como:
Já quando os sintomas são persistentes ou há complicações mais graves, os tratamentos intervencionistas podem ser indicados. Entre eles estão procedimentos como:
Se não for tratada corretamente, a insuficiência venosa crônica pode levar a agravamentos bastante sérios — especialmente em estágios avançados. Entre os principais problemas, estão complicações como:
Apesar disso, o prognóstico costuma ser bom quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento é seguido de forma contínua. A maioria dos pacientes consegue controlar os sintomas e manter qualidade de vida com cuidados simples, sem necessidade de intervenções mais invasivas.
Embora nem todos os fatores de risco possam ser evitados, algumas atitudes ajudam a prevenir o aparecimento da insuficiência venosa — ou ao menos retardar sua progressão.
Manter uma rotina de atividades físicas, evitar longos períodos em pé ou sentado, usar meias de compressão quando indicado e priorizar a manutenção do peso corporal são medidas simples de se adotar, mas que fazem toda a diferença para prevenir a insuficiência venosa crônica.
Por fim, é preciso ter em mente que o acompanhamento com um especialista também é importante para detectar sinais precoces da doença, iniciando um tratamento adequado antes que o quadro evolua para estágios avançados (e mais difíceis de se tratar).
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