A diretora Audrey Diwan só colocou uma condição quando foi chamada para refazer Emmanuelle, clássico erótico do século passado: ela precisava de total liberdade para criar sua própria versão da história. Numa entrevista ao Omelete em São Paulo (SP), para onde veio divulgar a estreia do longa no Festival de Cinema Europeu Imovision, a cineasta contou a história.
Ela diz que quase recusou o projeto, e revelou desgosto pelo filme de 1974, estrelado por Sylvia Kristel: “Assisti a apenas 10 minutos dele, o que foi suficiente para eu entender que não era o público-alvo. O filme não foi feito para mim e para o meu prazer”.
“De qualquer forma, lendo o livro, me perguntei: o erotismo pode ser uma linguagem cinematográfica hoje em dia? Quando o filme [original] saiu, as pessoas nunca tinham realmente visto um corpo nu na tela grande. Então, funcionou, porque era pura transgressão”.
“Hoje em dia, estamos na era pós-pornográfica, então não pode funcionar dessa forma, eu não estava interessada na ideia de transgressão em si. Mas eu estava interessada na ideia do erotismo como linguagem, ficava tentando imaginar: e se invertêssemos o processo?”.

“E se eu estreitasse o quadro, limitasse o que as pessoas podem ver, será que elas vão imaginar mais, será que trabalham junto comigo? É um exercício interessante, mas não é uma razão boa suficiente para fazer um filme”.
“Então inicialmente eu devolvi o livro aos produtores e disse: ‘Não vou fazer isso’. Mas meses depois, comecei a pensar naquela garota, em uma Emmanuelle que não consegue mais sentir mais prazer”.
“O desejo quebrado um bom tema para mim. Provavelmente porque é muito pessoal, eu tive esse tipo de experiência. Então liguei de volta para eles e disse: ‘Acho que encontrei minha Emmanuelle’. A partir daí, a minha única questão era: eu estou livre para fazer o que quiser?E eles me disseram que eu não precisava fazer nada relacionado às versões antigas de Emmanuelle, então eu estava dentro”.
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