Cerca de 10% dos desenvolvedores de game no nosso país são mulheres, um número baixíssimo. Mas qual o motivo de ter tão poucas mulheres nessa área? Existem diversos fatores que contribuem para esse número ser tão baixos.
Um dos principais é, infelizmente, o machismo que dificulta o acesso. Diversas pessoas te julgam simplesmente pelo fato de você ser mulher e gostar de jogos. Sim, isso ainda existe. Outra coisa de muita importância é a falta de incentivo a faculdade e cursos técnicos em jogos. Muitas pessoas pensam que estudar Jogos Digitais é ficar jogando o dia todo. Acredite ou não, já ouvi isso diversas vezes.
Existe uma grande falta de informação ainda sobre a formação em games.
Quando decidi que iria fazer Jogos Digitais, eu já conhecia sobre a faculdade pois meu primo e meu namorado estavam fazendo o mesmo curso. Mas as pessoas de fora, como amigos, sempre vão falar coisas sobre as quais não sabem.
Por exemplo: “Vai fazer jogos? Nossa isso é tão coisa de garoto. É isso que tu realmente quer? Não tá fazendo por que teu namorado faz, não é?”.
Sempre me perguntei por qual razão é tão difícil acreditar que mulheres possam se interessar por vídeogames? Quando estava saindo do Ensino Médio eu não sabia o que fazer. Através do meu namorado, eu conheci esse curso e me apaixonei por ele. No começo da faculdade eu senti essa pressão de: “Será que é isso que eu quero mesmo? Será que essas pessoas não estavam certas em falar que isso não era pra mim?”.
Aquilo era um mundo totalmente novo e não era nada fácil, mas com muita vontade e incentivo eu vi que era sim o que eu queria fazer. Posso dizer com toda convicção que estou no curso que eu quero. Isso é algo que eu amo.
E eu vejo que é isso o que falta para muitas garotas. Elas tem muito amor pelos jogos e sonhos de se tornarem desenvolvedoras, trabalhar com isso. Mas está muito enraizado na cabeça das pessoas que jogos é algo apenas para o público masculino.
É por isso que o número de desenvolvedoras deve aumentar se queremos quebrar esse estigma. Precisamos de mais mulheres fazendo jogos e mostrando jogos não tem que ser apenas para o público masculino. Existem muitas desenvolvedoras maravilhosas na indústria atual dos games, mas poucas são realmente conhecidas pelo público.
Apesar de participarem de jogos famosos na cena brasileira de jogos, é como se seus nomes não fossem de tanta importância por serem mulheres.
Ser desenvolvedora de jogos é um desafio constante, mas é algo extremamente gratificante e que merece tanto reconhecimento quanto outras profissões. Não importa qual seja sua área neste segmento, considerando roteiro, arte, animação, programação, game designer e outros.
Todas nós merecemos reconhecimento e respeito na profissão que escolhermos. Nós vamos fazer o que amamos. Afinal de contas, é isso o que mais importa.
Escrevo isso por mais desenvolvedoras mulheres nos jogos!
Nathaja Souza é universitária e cursa a faculdade de Jogos Digitais na UniRitter. É apaixonada por jogos, principalmente pela franquia Tomb Raider. Devora livros nas horas vagas e planeja ser roteirista de videogames.
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