Como a gamificação do mundo empresarial vai até o cotidiano. Por Thaís Chioqueti, colunista do Drops de Jogos

Nos meus dois últimos textos escritos aqui, nos Estados Unidos, eu compartilhei algumas experiências de como as empresas podem facilmente utilizar processos de gamificação para atingir os objetivos de forma criativa e divertida para seus funcionários.

Foto: Reprodução/Dreamforce

Porém, a gamificação não está presente somente no contexto empresarial. Ela, na verdade, está no nosso dia a dia onde menos imaginamos. 

Há alguns meses fui assistir um espetáculo chamado Fuerza Bruta. Através do teatro eles utilizam técnicas sensoriais onde o espectador interage com o todo. Em uma das cenas, nós conseguíamos tocar nos artistas, enquanto em outras dançamos, sentimos medo e até ficamos ansiosos. O objetivo do espetáculo foi cumprido em 50 minutos de interação e emoção.

Não diferente, eu participei este ano do DreamForce, um evento do Salesforce que reúne pessoas do mundo todo para falar de tecnologia e o futuro dela. Algumas frases usadas pelos apresentadores foram: “Qual mundo você quer construir no futuro?”, “o que você e sua empresa têm feito para alcançar este mundo?”. O evento que parou São Francisco, nos Estados Unidos, misturando palestras, shows, artistas contando suas experiências, testemunho de empresas de sucesso, música, dança, doações, yoga, meditação e várias outras atividades.

O que isso tem a ver com gamificação?

Você já deve ter reparado que o mundo mudou, porque estamos na era da informação e temos excesso dela. Também estamos na era da conexão, podemos chegar e conectar com qualquer lugar do mundo. Por fim, estamos igualmente na era da liquidez, conceito do sociólogo Zygmunt Bauman em que as relações são substituídas por conexões pouco sustentáveis.

Por que, em meio a tantas possibilidades e informações o usuário, expectador ou funcionário irá gastar investimento de tempo no seu produto ou empresa?

Posso citar dois processos da gamificação que os dois eventos fizeram muito bem: Eles criaram experiências memorávei e interagiram com o público.

Há um tempo atrás comecei a usar o aplicativo de celular Duolingo para aprimorar outro idioma. Em pouco tempo de uso, eu já me senti envolvida. Para correr utilizo o aplicativo Strava, que me concede pontos. Nele eu estabeleço minhas metas e as compartilho com amigos.

O que esses dois aplicativos tem em comum? Eles usam técnicas de gamificação para atrair o usuário fazendo a experiência ser divertida, retendo o usuário mais tempo dentro do aplicativo.

Estes são conceitos simples que facilmente podem ser observados dentro de um aplicativo gamificado num smartphone, por exemplo:

  • Regras simples e fáceis de ser entendidas e usadas
  • Metas e objetivos “self-service”
  • Pontuação e ranking
  • Níveis de avanço
  • “Share” com os contatos e redes sociais

Estamos muito mais envolvidos com games do que imaginamos no cotidiano e não só nas empresas. O conceito está vivo naquele programa de televisão, em uma publicação no Instagram, no evento, no aplicativo, enfim, em nosso dia a dia.

Thaís Chioqueti é colunista do site Drops de Jogos no espaço Gamificando Empresas, com textos quinzenais sobre comportamento nas corporações e sua relação com os videogames. Formada em psicologia, ela ama trabalhar no desenvolvimento de pessoas e de projetos. Atualmente está viajando por São Francisco, nos Estados Unidos, e já conheceu sedes de empresas como o Google.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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