Como funciona a dinâmica de preços nos games. Por Renato Degiovani, colunista do Drops de Jogos

O preço final de um game é tão importante para o sucesso comercial dele quanto o próprio desenvolvimento. Matematicamente falando, a fórmula mágica que rege este aspecto do game e traz lucro não é apenas repor o que foi investido. Ela é a seguinte:

Foto: Bas de Reuver/Creative Commons/Flickr

X / (Y * Z)  onde:

X = custo efetivo total (gasto + lucro);

Y = expectativa de unidades vendidas;

Z = tempo de exposição.

Note que são três variáveis complexas, dinâmicas e compucabalísticas, ou seja, variam em função de um monte de fatores externos sobre os quais pouco ou nenhum controle podemos ter.

Por exemplo: O custo total implica em colocar na conta até o cafezinho que a vovó serviu durante aquelas viradas de noite de codificação ou de testes funcionais. A sua performance vai ficando mais acurada conforme aumenta a experiência do pretendente a empresário do ramo. As viradas de noite também contam nessa.

Expectativa de vendas (ou unidades vendidas) é um número que começa com um chutão básico e vai seguindo por análises e critérios ditados especialmente por experiências vividas de fato e não apenas imaginadas. Quanto mais próximo do acerto for o número, melhor para todo mundo.

Tempo de exposição basicamente significa o tempo que o jogo estará recebendo algum tipo de atenção nos mecanismos de venda, quer via promoções, quer via atualizações. Este é outro número que recebe benefícios diretos da experiência vivida.

Experiência não se compra, nem se obtém por osmose e cada pessoa tem a sua própria vivência. Então, ao invés de concentrar todos os seus recursos, esforços e ideias em um único jogo de sucesso, pense se não seria mais prudente ou mais eficiente dividir isso por três ou quatro jogos, aumentando assim as suas chances no mercado. Isso maximiza os recursos e, de lambuja, te permite aprender mais sobre esses mistérios tão complexos. Nada disso é garantia de sucesso, mas acrescenta muita experiência ao seu currículo.

Acredite, o fato de você jogar games desde os cinco anos de idade, comprando suas cópias com a poupança da mesada que recebeu dos seus pais, não te dá autonomia para entender a dinâmica dos preços. Ter participado de decisões desta natureza – definição de preços, essencialmente – e podendo depois analisar os números resultantes lhe dará ferramentas melhores que o achismo crônico cultural. Mesmo sabendo que um produto nunca tem o mesmo desempenho que outro, ainda que tudo seja equivalentemente reproduzido.

Quer fazer um teste? Fiz um jogo e gastei R$ 5.000 nele. Quero ter um retorno de R$ 20.000,00 ao longo de um ano. Faça as contas, considerando (para facilitar) que Y é uma estimativa diária de sete chaves/cópias/downloads. Brinque de alterar os valores, conjecturando sobre cada alteração e seus reflexos no sucesso/fracasso do game. É divertido fazer isso.

Renato Degiovani é o primeiro desenvolvedor de jogos brasileiro, desde 1981. É colunista do site Drops de Jogos no espaço DEV.LOG, com textos regulares sobre sua experiência de décadas. Foi o desenvolvedor do jogo Amazônia, é conhecido na comunidade nacional do aparelho MSX, editou a revista Micro Sistemas e é responsável pelo espaço TILT Online.

Acompanhe Drops de Jogos no Facebook e no Twitter.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Categorias:
Negócios