O mais do mesmo nos games tem potencial? Por Renato Degiovani, colunista do Drops de Jogos

Fazer o primeiro jogo – completo, de preferência – é uma experiência única e não apenas pelo esforço envolvido, mas principalmente pela novidade de ter um trabalho que vai ao escrutínio público sem dó nem piedade. Passar por isso, para quem está se despedindo da adolescência ou já entrou na fase adulta, tem como resultado uma única certeza: Nada te preparou para as emoções que virão tanto se for sucesso quanto fracasso.

Foto: Divulgação

É do segundo jogo em diante, quando então fica caracterizada a pretensão de "seguir carreira", que nós devemos, for força do próprio mercado e do comportamento dos consumidores, avaliar se de fato estamos fazendo mais do mesmo ou o mais do mesmo que estamos fazendo ainda tem potencial para despertar o interesse das pessoas.

Na moderna sociedade de consumo onde a informação seja, talvez, o item mais importante nos processos de venda, o impacto inicial precisa ser não apenas intenso como certeiro. Você precisa acertar no alvo de primeira. Num mundo onde as ofertas se multiplicam e se diversificam várias vezes ao dia, é necessário prestar atenção no tempo que o consumidor leva para identificar no seu jogo o mais do mesmo.

Como assim?

Partindo de um input casual qualquer, você é direcionado a "ver" um jogo de plataforma lindamente ilustrado em que – copiando uma imagem que um amigo adora usar – ninjas siderais disparam laseres a torto e a direito e voam sobre inúmeros obstáculos. Quanto tempo seu cérebro levou para concluir que é "mais um jogo de plataforma"?

É exatamente este o ponto. Por mais que seu jogo tenha infindáveis diferenciais internos, inusitados e exclusivos, chegar a fazer a diferença na hora do consumo é muito "caro". Isso custa tanto em termos de recursos financeiros quanto em termos de esforço de marketing.

Não é errado fazer mais do mesmo. Não existe certo e nem errado na escolha por um modelo de jogo a ser produzido. O que existe de fato é que seu jogo pode até ser mais do mesmo, mas ele não pode parecer, logo de cara, que é apenas isso.

Isso vale inclusive na hora de escolher o título do jogo e principalmente na linguagem a ser utilizada dentro dele.

Renato Degiovani é o primeiro desenvolvedor de jogos brasileiro, desde 1981. É colunista do site Drops de Jogos no espaço DEV.LOG, com textos regulares sobre sua experiência de décadas. Foi o desenvolvedor do jogo Amazônia, é conhecido na comunidade nacional do aparelho MSX, editou a revista Micro Sistemas e é responsável pelo espaço TILT Online.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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