O mercado manda na reputação do game. Por Renato Degiovani, colunista do Drops de Jogos

Responda rapidamente entre esses dois games – Killer Boy, da Smash Entertainment, e Scape from Hell, da Print Screen Studio – qual deles é genuinamente brasileiro?

Foto: IQRemix/Flickr/Creative Commons

Pense mais um pouco.

Precisou olhar no Google? Wikipédia?

A resposta certa? Nenhum dos dois, ou ambos, ou o primeiro, ou o segundo. Não dá pra saber pelo nome do jogo, da produtora ou do tema, de onde vem o game. A pergunta é: Isso importa? Resposta: Depende.

A observação do movimento de venda dos jogos mostra que caso você queira o seu jogo como um destaque na mídia nacional para obter alguma atenção ou uma boa recepção por parte do público consumidor brasileiro, é preciso responder primeiro o seguinte: Qual é o destaque ou diferencial que o jogo tem diante da imensidão de jogos disponíveis (literalmente idênticos) também em língua inglesa e produzidos pelos quatro cantos do planeta? Só por ter sido feito por brasileiros? Acha mesmo que este fator importa para quem joga?

Não confunda aceitação por parte da mídia com vendas garantidas, pois tem jogo que atinge mídias e publicações jamais pensadas e mesmo assim não decolam na preferência do consumidor. Isso mostra que existe algo ainda incompreendido nesta questão.

Se foi honesto na resposta, aqui vai mais uma pergunta pertinente: Como você acha que é a percepção do consumidor quando ele descobre que os jogos poderiam se chamar Garoto Assassino ou Fuga do Inferno? Acredita mesmo que vale mais o título numa língua estrangeira com a não-compreensão por parte da maior parte do público consumidor nacional?

A maioria dos desenvolvedores vai achar tudo isso normal, uma vez que o objetivo é o mercado mundial. Mas se o objetivo é esse, por que perder tempo com esse trabalhão todo de divulgação no mercado que – alguns acreditam –  não vai consumir seu jogo só porque é em lingua portuguesa?

Perceba o seguinte: Nenhuma pesquisa de todas que já foram feitas sobre o mercado BR de games incluiu uma questão para mapear o quanto a identificação imediata do jogo/tema influencia na decisão de compra ou consumo. Sem isso, muita gente ainda vai ficar acreditando que brasileiro não compra jogo nacional por pirraça.

Renato Degiovani é o primeiro desenvolvedor de jogos brasileiro, desde 1981. É colunista do site Drops de Jogos no espaço DEV.LOG, com textos regulares sobre sua experiência de décadas. Foi o desenvolvedor do jogo Amazônia, é conhecido na comunidade nacional do aparelho MSX, editou a revista Micro Sistemas e é responsável pelo espaço TILT Online.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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