Qual jogo tem potencial para o sucesso? Por Renato Degiovani, colunista do Drops de Jogos

Agora que os pássaros raivosos deram uma freada violenta nos resultados financeiros e a fábrica de docinhos virtuais foi negociada pela bagatela de US$ 5,9 bi, você se pergunta: O que está acontecendo no mundo dos joguinhos do tipo que qualquer pessoa consegue fazer? Resposta: O de sempre, ou seja, movimentos clássicos tanto de compra e venda de empresas bem como a saturação deste mesmo mercado. E você tem toda razão em pensar que qualquer programador/artista mediano faz um Angry Birds ou um Candy Crush.

Foto: Divulgação

O segredo do sucesso gigantesco de ambos não está no programa/jogo, ou pelo menos não apenas nele mas sim numa dinâmica de mercado que é formada pelo jogo certo – e na hora certa.

No começo do século ou final no anterior – não consigo precisar de cabeça a época – houve um webgame gratuito que fez um tremendo sucesso na internet. Era apenas um yeti (homem do gelo) com um bastão de beisebol e pinguins fofinhos. Você os arremessava o mais longe possível. Nos dias de hoje, este tipo de game geraria um tremendo movimento nas redes sociais.

A grande diferença desse jogo, para os atuais sucessos, é que naquele tempo não havia micro transações, não havia Android, não havia iOS, nem Facebook, nem lojas viruais e muito menos esse frisson todo de produção. O jogo fez sucesso por um tempo; todo mundo jogou e depois simplesmente desapareceu – ou pelo menos foi para o limbo dos jogos irrelevantes.

Dá pra dizer que, se fosse lançado hoje, faria um grande sucesso? Certeza absoluta ninguém pode alegar que tem e o mais provável é que daria uma polêmica dos diabos e algum sucesso fatalmente ocorreria. Se ocorresse, o sucesso seria novamente derivado da fórmula jogo certo, na hora certa.

Note que isso implica em aceitar um fato: Todo jogo, independente do que seja, do quanto tenha custado para ser produzido ou da beleza e da complexidade de suas estruturas, artes e funcionalidade, possui um potencial comercial. O segredo está em detectar como e quando aproveitar tal potencial.

Portanto, não se prenda a modelos, época, beleza, estilo, 2D, 3D, engine, funcionalidade ou até mesmo nas críticas negativas. Todo jogo tem um potencial, mas nem todo potencial vai te levar aos milhões ou mesmo à sobrevivência como produtor de games.

Talvez o problema do seu jogo não decolar como deveria não seja nem mesmo o aproveitamento oportuno do potencial comercial dele, mas a sua insistência em confiar apenas num programa único.

Renato Degiovani é o primeiro desenvolvedor de jogos brasileiro, desde 1981. É colunista do site Drops de Jogos no espaço DEV.LOG, com textos regulares sobre sua experiência de décadas. Foi o desenvolvedor do jogo Amazônia, é conhecido na comunidade nacional do aparelho MSX, editou a revista Micro Sistemas e é responsável pelo espaço TILT Online.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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