Ready: A importância dos desafios na criação dos games. Por Renato Degiovani, colunista do Drops de Jogos

No início dos tempos, ao ligar o computador aparecia uma tela preta, um cursor piscante e (eventualmente) a palavra Ready. Soava mesmo como se o computador estivesse perguntando: "Você está pronto para o desafio?".

Foto: Reprodução

A crueza da interface de programação, ao invés de prejudicar a produtividade, dava oportunidade para o desenvolvedor olhar o principal fundamento da criação de jogos: Todo game é antes de qualquer coisa um desafio estimulante. Todo o restante gira em torno disso.

Antes do surgimento da sociedade informatizada, os jogos casuais mais conhecidos eram batalha naval, forca, jogo da velha, 21 palitos e por ai vai. Eram games simples que não exigiam nada mais do que um pedaço de papel, lápis e conhecimento de umas poucas regras. Quem nunca jogou um desses games, no fundo da sala de aula, tentando escapar do tédio de assuntos áridos como química orgânica?

O desafio bem simples tornava a brincadeira mais divertida: Vencer o oponente o mais rápido possível.

Hoje em dia, dado o universo de engines poderosas, assets, plugins, addons, extensões, bibliotecas de arte, som e procedimentos, o desenvolvedor corre o risco de perder um pouco o foco principal da sua produção, que é o desafio. Alguns games, mesmo esbanjando beleza e sonoridade, não convencem o público justamente porque não desafiam o jogador de forma objetiva.

Portanto, antes de perguntar pros amigos o que acham do gameplay do seu jogo, faça algumas perguntas a si mesmo. Será que as pessoas ficarão tentadas (desafiadas) a vencer os obstáculos propostos no game? Ou a desvendar os mistérios enunciados no enredo?

Renato Degiovani é o primeiro desenvolvedor de jogos brasileiro, desde 1981. É colunista do site Drops de Jogos no espaço DEV.LOG, com textos regulares sobre sua experiência de décadas. Foi o desenvolvedor do jogo Amazônia, é conhecido na comunidade nacional do aparelho MSX, editou a revista Micro Sistemas e é responsável pelo espaço TILT Online.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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