Vídeos gravados ao vivo viciam no universo dos games? Por Renato Degiovani, colunista do Drops de Jogos

O tema de YouTubers, como sinônimo de gameplay em formato de vídeo, desperta paixões tanto pró quanto contra. Os sucessos estratosféricos desses vlogueiros não desfrutam de uma boa reputação na comunidade de desenvolvedores brasileiros. É puro preconceito, porque ambos deveriam andar de mãos dadas.

Foto: Divulgação

Mas este artigo não é sobre isso. É sobre um fenômeno que segue um caminho "primo pobre" do fenômeno YouTuber e que começa a mostrar um potencial até então pouco visível. Estamos tratando de visualizações fora da faixa das centenas de milhares por streaming.

A coisa começou mais ou menos quando a loja SplitPlay abriu seu canal no Twitch para que o YouTuber Jumento Quantico entrevistasse desenvolvedores e abordasse os jogos indies que iriam aparecer na loja. Nada que já não fosse uma estratégia bastante conhecida – divulgar de forma intensa aquilo que você está vendendo. Embora tenha sido um canal com vida curta, a loja mostrou que a fórmula funciona bastando alguns ajustes de formato.

O movimento seguinte foi a transformação de canais de podcasts em vídeo e a liderança neste segmento não pode ser atribuída a outro senão ao canal Indústria de Jogos (IDJ) Entrevista, do dev e empresário da área de games Maurício Tadeu Alegretti, conhecido no meio como Malegra. Com uma simpatia nata, a condução das entrevistas ultrapassa o aspecto técnico/comercial em foco, por conta do entrevistado, e passa a se comportar como um show à parte. E tudo isso transmitido ao vivo, ou seja, num modelo de produção que não embute custos astronômicos de edição e pós produção, mas exige essencialmente uma presença firme e marcante na tela.

Caminho parecido (transmissão ao vivo) também é adotado pelo canal de entrevistas do site Produção de Jogos do Raphael Dias. No entanto, ele já adota um modelo de marketing bem mais agressivo do que apenas comunicar via Facebook o que, quem e quando vai rolar.

Embora o modelo entrevista não traga multidões para a frente do monitor, ele embute um diferencial do vídeo de gameplay puro que pode se transformar na grande sacada do game indie br, muito por conta tanto da proximidade dos produtores quanto da linguagem e informalidade utilizadas. O vídeo entrevista indie br faz toda a produção nacional parecer um grupo de grandes amigos entusiastas, compartilhando experiências e que estão bem próximos de todos nós – o que no final das contas desperta a vontade de integrar nesse enorme grupo.

Melhor do que isso será quando as produções de vídeo estiverem focadas nos games e produtos, e não tanto na experiência de produção dos entrevistados. Vamos torcer para que isso aconteça logo e que esteja dentro de um movimento que pretenda criar um canal mais eficiente de venda e distribuição do game nacional.

Já dá pra responder a pergunta inicial? Não? Então assista os dois vídeos abaixo e tire suas conclusões.

Renato Degiovani é o primeiro desenvolvedor de jogos brasileiro, desde 1981. É colunista do site Drops de Jogos no espaço DEV.LOG, com textos regulares sobre sua experiência de décadas. Foi o desenvolvedor do jogo Amazônia, é conhecido na comunidade nacional do aparelho MSX, editou a revista Micro Sistemas e é responsável pelo espaço TILT Online.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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