Para professora, desenvolvedores brasileiros devem aproveitar os hits do mercado para seus games

Em sua análise, Érika afirma que a visão de muitos desenvolvedores nacionais se perde no modelo ‘mainstream’ dos grandes mercados e não uma visão indie. de produção

  • por em 25 de fevereiro de 2020

Imagem: frame de vídeo

Produzir games no Brasil é sempre um trabalho árduo e o alcance das produções indies nem sempre acaba atingindo as metas idealizadas por seus criadores.

Para Érika Caramello, Doutora em Educação, Arte e História da Cultura, desenvolvedora e docente na área jogos digitais nas Fatecs Carapicuíba e São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, boa parte dos produtores brasileiros de jogos ainda carece da percepção sobre a importância de nossa vasta cultura nacional para o desenvolvimento de jogos digitais.

“O que a gente tem que entender é o seguinte: aproveitar os grandes hits da indústria pra também trabalhar dentro da área de games”, afirmou, em bate papo durante o programa Live PopGeeks, da Rádio Geek.

“A área de games trabalha com muitos aspectos, você tem a parte visual, tem a parte interativa, a parte sonora, então, tudo isso são coisas que a gente pode ir trazendo [da cultura popular para os games]”, sugeriu.

A profissional citou ainda a literatura de Cordel, a Xilogravura e a estética do Grafite, e afirmou que os desenvolvedores deveriam beber mais profundamente de nossa cultura brasileira diversa e plural e evitar “o mesmo modelinho de mangá, quando a gente tem uma fonte para beber incrível aqui no Brasil”.

Para Érika, há ainda o que ela denomina como “resistência”: “Uma das coisas que causa a maior controvérsia nas minhas aulas de games é quando eu toco Funk [Carioca]. As pessoas botam a mão no ouvido. Elas têm que entender o seguinte: eu não gosto de funk, mas o funk aqui no Brasil é um hit que chega a um espectro internacional”, declarou.

“Se é hit musical, a gente tem muita coisa pra aproveitar para os games”, destacou, lembrando que o uso das composições brasileiras integra, hoje, apenas as trilhas presentes em games musicais como o Just Dance. “Mas você não aproveita toda a estética e até mesmo a [possibilidade de criar] novas formas de jogabilidade”.

Érika é taxativa quando se trata de vislumbrar o desenvolvimento de jogos como um negócio para o mercado brasileiro e global: “Afinal, o que você quer? Você quer viver de games? É preciso ter uma visão muito pontual em relação a isso, você precisa ser rentável. Então, a gente precisa entender o que dá dinheiro e como adaptar isso tudo”.

Em sua análise, a visão de muitos desenvolvedores nacionais se perde no modelo ‘mainstream’ dos grandes mercados e não em uma visão indie de produção: “E é essa visão indie que eu tento implementar aos meus alunos”.

Você pode assistir ao vídeo do Live PopGeeks, exibido nessa terça de Carnaval, às 20h, pela página da rádio no Facebook, e pode acompanhar este e outros programas da rádio por meio do aplicativo, disponível para dispositivos com sistema Android e iOS.

Fãs dos games também contam com a opção de ouvir o programa por meio do player da rádio na página inicial do próprio Drops de Jogos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.