Pixelfed bate meta no Kickstarter em incríveis 13 horas - Drops de Jogos

Pixelfed bate meta no Kickstarter em incríveis 13 horas

Objetivo de rival do Instagram era arrecadar US$ 34.749, cerca de R$ 206 mil

(Créditos: Patricia Gnipper/Drops de Jogos)

Se você ainda não tinha ouvido falar em Pixelfed, é provável que a partir de agora você até se canse de ler e ouvir a respeito. O Pixelfed é uma rede social de fotos e vídeos tipo Instagram, mas com a proposta de ser descentralizada, de código aberto, livre de anúncios e com termos de uso que respeitam os direitos humanos. E a Meta que se cuide se continuar “confundindo” liberdade de expressão com permissivismo, passando pano para intolerâncias e até mesmo crimes, como racismo e homofobia.

“Nosso objetivo é ser o primeiro aplicativo do Fediverso com um bilhão de pessoas, enfrentando os maiores players do mundo e usando padrões de código aberto”, diz a empresa, sem enrolação. Também segundo seus criadores, o Pixelfed foi “projetado e construído para uma sociedade melhor, para nos aproximarmos sem rastreamento ou vigilância”.

Qualquer semelhança do app do Pixelfed com o Instagram não é mera coincidência (Créditos: Reprodução/Pixelfed)

O Pixelfed, na verdade, já existe há alguns anos. Criado em 2018, o serviço se mantinha “no underground” até que Elon Musk e Mark Zuckerberg decidiram sair de cima do muro e revelaram explicitamente quais são os seus valores, também deixando claro o tipo de mundo que pretendem construir (na verdade, destruir é a palavra certa) através do domínio global de suas redes sociais — X, Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads.

Importante ter em mente que três das cinco plataformas sociais mais utilizadas do mundo em 2024 são de Zuckerberg, que agora é o melhor amiguinho de infância de Musk, dono do X (ex-Twitter) — com o qual ninguém mais se importa. Mas agora que surgiu o shipp que eu carinhosamente chamo de Muskerberg, não é um delírio imaginar uma vindoura fusão das plataformas, num verdadeiro Megazord do Mundo Invertido.

Por isso, a “mudança” no discurso do CEO da Meta, com inclinação (já quase numa horizontal) em direção a ideologias de extrema-direita, é tão perigosa. Não se trata mais daquela velha dicotomia “esquerda versus direita”. O que estamos testemunhando é a ascenção política de bilionários enquanto eles se revelam verdadeiros tiranos em pleno ano de 2025. Sim, “tirano” é a palavra correta. Quem buscar no dicionário, vai ver que a definição de “tirano” é descrita como “aquele que chega ao poder soberano de um Estado de forma indevida”, “quem governa arbitrariamente e com atitudes opressivas” ou “indivíduo que impõe sua vontade de forma autoritária”.

(Créditos: Reprodução/Shopify/DataReportal)

Desde a mais recente posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, a dupla em questão não viu mais motivos para esconder quem são e como realmente pensam, e de lá para cá um verdadeiro show de horrores vem acontecendo. Mudanças nos termos de uso que permitem disseminação de fake news, discriminação contra minorias sociais e até mesmo gestos inegavelmente nazistas foram só o começo desta nova era.

“Chegou nova era, a velha já era”, cantou o vilão Scar em “Se Preparem”, trilha sonora de O Rei Leão. Destaco este trecho da música:

“O rei é um bom camarada
E o povo vai logo adorar
Vocês que serão mais amados
Farão tudo que eu tramar
Vou distribuir prêmios caros
Pra amigos que estejam afim
Mas quero deixar muito claro
Não vão comer nada sem mim!”

E já que a arte imita a vida e vice-versa… no longa de animação, após puxar o tapete de Mufasa, Scar então consegue mandar no pedaço e as hienas em comportamento de manada seguem seu novo rei, que instaura a tal “nova era” fazendo todo mundo passar fome e sofrer muito — incluindo as hienas, que foram suas fiéis apoiadoras. O final todo mundo conhece: Simba toma vergonha na cara, enfrenta seu tio do mal, aceita que nasceu para ser o rei do pedaço e então seu “país” volta a ser um lugar harmonioso, funcional e digno.

Agora, voltando ao Pixelfed… o serviço parece ser uma luz no fim do túnel para quem não quer ser uma hiena-capacho-de-tirano neste paralelo de O Rei Leão com o que está acontecendo na vida real. Muitas pessoas já estão abandonando, ou consideram abandonar, as plataformas da Meta, buscando alternativas equivalentes. E é aqui que o Pixelfed, se vingar, pode abrir a porteira para este movimento, começando pelo Instagram.

O Rei Leão - Se Preparem

A rede social já bateu sua meta de financiamento no Kickstarter, que era de cerca de 34 mil dólares — e o fez em apenas 13 horas! Hoje, 23 de janeiro, o valor arrecadado passou da marca dos US$ 50 mil. E como o projeto ficará ativo recebendo grana até o dia 8 de março, não é ingênuo deduzir que o a evolução do Pixelfed daqui em diante pode ser meteórica, talvez um fenômeno registrado para sempre nas páginas da história da internet. Afinal, dinheiro para investir em recursos e divulgação não vai ser um problema, imagino eu.

Mas não é só de dinheiro financiado coletivamente que depende esta rede social, que não está nem aí se vai desagradar “os grandes” do mercado ao não direcionar propagandas. A plataforma vem observando um aumento significativo de novos inscritos, com as estatísticas disponibilizadas pelo Pixelfed mostrando um aumento de 118% na quantidade de novos usuários nos últimos 14 dias. Em 9 de janeiro, a rede social tinha cerca de 129 mil usuários, número que subiu para mais de 280 mil em 23 de janeiro.

(Créditos: Reprodução/Pixelfed)

Será que o Pixelfed vai mesmo deixar o Instagram para trás e mostrar a certos bilionários que o mundo não é a casa da mãe Joana como eles pensam? Eu, particularmente, só vejo isso acontecendo se a usabilidade da plataforma se tornar mais intuitiva, mais didática, mais “for dummies”. Se o Pixelfed trilhar por esse caminho de democratizar o uso de sua ferramenta neste Fediverso — que ainda é um mistério para muita gente, o que é um empecilho inegável para sua rápida popularização —, aí o céu será o limite. Deixo aqui meus votos para que isso aconteça, e rápido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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