Após problemas, indie brasileiro CoronaGame chega como Vírus Combat

Política do Google impede games que explorem fenômenos catastróficos ou eventos com grande número de mortes, informa o desenvolvedor.

  • por em 29 de abril de 2020

Vírus Combat. Imagem: Lizards Games

Com a pandemia de coronavírus, começam a surgir games temáticos ligados ao assunto nas lojas de aplicativos.

Recentemente, o estúdio brasiliense Lizards Games, conduzido pelo desenvolvedor Alex Leal, criou um projeto de grande destaque, com menções até mesmo em coletivas do Ministério da Saúde, que transformou-se em um inesperado problema para, na sequência, inovar na produção.

Então denominado CoronaGames, jogo apresenta como protagonista um enfermeiro, que deve coletar máscaras, auxiliar pacientes em recuperação e evitar o contato com o vírus.

Quem conta a saga da criação do CoronaGame, agora renomeado como Vírus Combat, é o próprio idealizador do projeto, destacando que “não dá pra passar desapercebido por uma pandemia”, o que motivou o início do processo.

“Como sempre trabalhei com jogos casuais e news games, eu falei ‘cara, vou fazer um jogo sobre isso”, comentou, em conversa com o Drops de Jogos, explicando o desenvolvimento da criação, produzida em aproximadamente 20 dias.

“Quando eu submeti o game à Google Play, o jogo acabou sendo excluído. O que me alegaram é que o jogo fere a política da empresa, que impede que a gente explore fenômenos catastróficos ou eventos que tenham grande número de mortes”, salientou.

“No início, eu fiquei meio impactado, mas como eles me deram algumas soluções, como mudar o nome do jogo, repensar o projeto, aí eu fiz algumas alterações”, continuou Alex.

“Primeiro, mudei o nome do jogo, o que foi um problema, porque já haviam saído várias matérias, em vários veículos de comunicação sobre o game, mas eu acho que não vai atrapalhar, porque Vírus Combat tem uma certa relação [com o problema] e como esta matéria [do Drops de Jogos] vai esclarecer isso, vai ficar muito bom”, afirmou, reconfortado.

As mudanças às quais o produtor se refere acabaram trazendo maior dinamismo ao game. “Eu tive que fazer uma introdução no jogo que não tem nada a ver com o coronavírus, nada do jogo pode ter relação com o coronavírus”, informou, indicando que outros elementos também foram alterados no projeto.

“Eu tinha uns personagens no jogo que eram pessoas que não estavam cumprindo o isolamento e estavam espalhando o vírus pra todo lado e eu decidi tirar porque estava muito relacionado à doença”, afirmou, atento às pressões da política de publicação de games para dispositivos móveis na plataforma.

“Eu incluí algumas coisas no jogo, como a gôndola, que remete aos passeios em Veneza, a ida da França para o Brasil em um 14 Bis, em uma brincadeira com o fato de Santos Dumont ter morado em Paris, e dei uma limitada para tirar um pouco dessa cara do coronavírus, mas lógico que quem jogar vai se entir muito dentro dessa realidade”.

“Fiz uma historinha que começa na China e termina no Brasil, com partes da história acontecendo na França e na Itália”.

Alex destacou que o projeto deve ganhar atualizações brevemente. “A ideia é expandir isso, passando pela Espanha e Estados Unidos”, comentou.

Vírus Combat já está disponível na loja virtual Google Play e deve chegar em breve para dispositivos com sistema iOS, na App Store.

O estúdio Lizards Games vem desenvolvendo vários jogos ligados às questões brasileiras, especialmente no campo da política, a exemplo de Vale Tudo – Dilma vs Cunha, de 2015, e Bolsonaro Ovacionado, produzido em 2017, entre outros. Em 2019, o estúdio divulgou o projeto Arkanika.

O desenvolvedor Alex Leal. Imagem: Jornal de Brasília

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.