Chrono Trigger, uma resenha nostálgica. Por Fabio Carito

Jogo lançado originalmente em 95

Chrono Trigger. Foto: Divulgação

A metade dos anos 90 presenteava, para nós fãs, uma guerra importante entre Sega e Nintendo (deixemos a SNK com seu NeoGeo, a Atari com seu Jaguar e o 3DO da Panasonic para um assunto futuro). Dentre as franquias que optavam por distribuir seus títulos em ambas as plataformas, o termo “exclusivo” (como é majoritariamente usado hoje) ainda era desconhecido. Isso valia ainda mais para os adolescentes da geração dos anos 80 que só queriam saber de chegar na locadora, alugar suas fitas na sexta-feira e, com a promoção, devolver apenas na próxima segunda.

Chrono Trigger (1995) foi durante alguns anos um exclusivo do SNES, tendo sua portabilidade primeiro para o PS1 em 1999 e para outros consoles nos anos 2000. Teve sequências – não tão – diretas, chamados Radical Dreamers e Chrono Cross.

O último, infelizmente, foi uma ‘continuação descontinuada’ (por mais irônico que esse comentário possa soar), mas isso também é assunto para uma próxima oportunidade.

O jogo Chrono Trigger já nasceu grande porque já nasceu revolucionário. Em sua época de ouro, a Squaresoft convocou suas melhores peças, e com isso, nasce assim o “The Dream Team”. Final Fantasy, Dragon Ball e Secret of Mana soam familiares pra você? Pois é, Chrono Trigger foi concebido com células dessas mentes.

Você pode formar trios de combate, pode combinar ataques, pode fazer um dos seus TREZE finais, pode chegar no level 99, pode mover-se em mapas onde o termo “mundo aberto” talvez nem existisse. Você pode fazer quase tudo, inclusive decretar o fim do jogo na metade, e, por que não, logo no começo? Você, literalmente, é o gatilho do tempo. Tempo, aliás que é a maior sacada da história, onde vamos e voltamos para o fim dele, tendo sua representação mais poética impossível: Uma rua escura, com um velho de chapéu sendo iluminado apenas por um poste, a la anos 30.

Não esqueçamos também, a leve homenagem a Ozzy Osbourne, Flea e Slash em dado momento com um trio de vilões.

Como um jogo que tem um garoto “mudo” como protagonista, um sapo falante da idade média, um robô do futuro, um mago da idade do gelo, uma guerreira da pré história e um parasita gigante atemporal pode ser carismático? Pode, e deve.

Sinto saudades de quando meu SNES esquentava por conta de seus gráficos parrudos. Só não sinto saudades de quando deletavam meu save.

Isso acontecia sempre quando a alugava na locadora.

Nota: 10

Fabio Carito é músico, baixista da Warrel Dane (RIP), Furia Inc., Heaven & Hell (Dio Tribute) e Ricardo Confessori. Arrisca em games clássicos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.