A opinião equivocada do ministro José Eduardo Cardozo e a mentalidade da Perseu Abramo, fundação do PT, sobre os games

Em janeiro de 2013, a ex-ministra da Cultura do primeiro governo Dilma Rousseff, Marta Suplicy, declarou que "games não são cultura" e não valiam para o Vale Cultura de sua gestão. O benefício é de R$ 50 mensal e vale para livros, DVDs e itens tradicionais culturais, mas não para jogos eletrônicos. Essa mentalidade do PT governamental veio de sua Fundação Perseu Abramo, que disse ter identificado um "lobby dos games" segundo uma reportagem do jornal O Globo do dia 30 de março daquele ano.

Foto: Divulgação

Localizada na Vila Mariana e fundada em 5 de maio de 1996, seu presidente é o economista Marcio Pochmann, que tem 53 anos, é doutor pela Unicamp e ex-consultor de instituições respeitadas como Sebrae, Fiesp, Dieese e Unicef. Trabalhou com a então prefeita Marta entre 2001 e 2004, quando eles implantaram os sistemas de Telecentros que aproximaram a perferia de São Paulo com a computação e até com software aberto tipo Linux. 

Apesar do currículo, Pochmann acompanhou a audiência pública do Vale Cultura e categorizou a presença de porta-vozes da indústria brasileira de jogos como "lobby dos games". Na época, há três anos, estavam presentes Moacyr Alves, presidente da ACIGAMES (Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games), e Francisco Tupy, professor e pesquisador da USP. "Eles nos chamaram de lobistas e se recusaram a conversar conosco depois do encontro", disse Tupy ao Drops de Jogos.

Na avaliação da Perseu Abramo, e do governo Dilma, o "lobby de games" não é digno de entrar em um programa de consumo cultural a nível nacional. Audiências públicas para discussão sobre redução de carga tributária nos jogos rendem grupos de trabalho em pastas de ministérios, principalmente depois da campanha Jogo Justo de 2011. Mas não avançam por uma mentalidade de gestão que não encara o entretenimento eletrônico como prioridade, praticando impostos abusivos com consumidores e não fomentando uma produção nacional que poderia ajudar escolas, hospitais e até instituições focadas na disseminação cultural.

Em 15 de janeiro de 2016, três anos depois, o ministro da justiça José Eduardo Cardozo, afirmou que a "apologia à violência" em esportes e videogames alimenta a criminalidade no Brasil. Falou isso num evento na sede da OEA, Organização dos Estados Americanos da ONU.

Cardozo não diz essa informação equivocada e retrógrada à toa. É uma mentalidade da atual gestão petista.

Apesar de Fernando Haddad ter visitado recentemente a Campus Party e os governos petistas terem auxiliado na disseminação da conexão de internet, os games permanecem num segundo plano totalmente incômodo.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Cultura
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