Game vencedor em concurso universitário pode ser plágio de projeto acadêmico, afirma pesquisadora

Atualização: Os envolvidos conversaram e concluíram que o assunto não passou de um mal entendido, como informa este artigo, que acompanhou o desfecho do caso.

O Drops de Jogos atualiza a informação para que os jovens desenvolvedores não sofram penalidades injustas por conta do caso.

Game de alunos de Uberlândia foi acusado de ter sido inspirado em projeto de grupo de pesquisas da Universidade Estadual da Bahia. A situação se regularizou, após conversa entre os profissionais.

  • por em 11 de janeiro de 2016
Imagem: fotomontagem com sobreposição de artes de divulgação dos games.

No final da semana passada, a Drª. Lynn Alves, professora e pesquisadora da Universidade Estadual da Bahia e responsável pela coordenação do Grupo de Pesquisa Comunidades Virtuais, veio às redes sociais denunciar o possível plágio do jogo Guardiões da Floresta, projeto criado pelo grupo de pesquisas em 2013. A denúncia partiu das informações contidas no site Colecionador de Sacis, que informou a existência de um jogo de mesmo nome, para PC e Android, vencedor da 4ª edição do concurso Batalha de Games, da Universidade Federal de Uberlândia, ocorrido em outubro de 2015, em Minas Gerais.

"O game é bem simplezinho, e em verdade é pura mecânica. A jogabilidade é OK no computador, mas no celular as teclas muito pequenas dificultam bastante a partida e dão uma sensação de frustração", avaliou Andriolli Costa, responsável pelo site ligado a cultura do folclore nacional. "Nesta edição [do concurso Batalha de Games], os participantes – que deveriam se dividir em equipes de três pessoas – tinham 20 dias para desenvolver do zero um jogo com o tema Folclore Brasileiro. Apenas Guardiões foi disponibilizado para download", informou, em detalhes.

"O protesto refere-se ao fato que o nosso grupo Comunidades Virtuais criou o Guardiões da Floresta desde 2013, com o mesmo argumento e temática usada pelos os estudantes Tiago Pereira de Faria e Douglas Monteiro Cavalcanti [os desenvolvedores do game de Uberlândia], com financiamento da FAPESB, CNPq e Proforte – UNEB, tendo sido bastante divulgado, inclusive com publicações a respeito das investigações com a mediação do referido jogo", explicou Lynn Alves em seu desabafo nas redes sociais. O protesto contou com repercussão e grande apoio entre profissionais do meio, estudantes e acadêmicos.

"Um aluno do Design me falou que viu o post de um jovem chamado Andriolli Costa, do site Colecionadores de Saci", comentou Lynn Alves, em conversa com o Drops de Jogos. "Como todo mundo sabe que o nome Guardiões da Floresta é de um jogo nosso, o menino achou super estranho e me passou o post", declarou, comentando que chegou a conversar com o mantenedor do site de folclore: "O Andreolli falou que não sabia [tratar-se de um jogo homônimo], que ia verificar o nosso jogo e tal", completou. Para a pesquisadora, a questão é grave, pois evidencia a possibilidade de plágio de uma obra financiada e divulgada nos meios acadêmicos, situação que deveria ser de conhecimento dos docentes da instituição mineira. "Eu consegui o contato do professor da faculdade de comunicação, que organiza essa tal de Batalha de Games na Universidade Federal de Uberlândia", afirmou, mais adiante, na troca de mensagens. "Até agora, o professor e os desenvolvedores ainda não responderam".

O Drops de Jogos tentou contato telefônico com a Universidade Federal de Uberlândia e chegou a enviar mensagem para um dos desenvolvedores do game acusado de plágio, mas não conseguiu retorno ou respostas à questão. Na página do jogo na loja virtual, a criação está identificada como um projeto da TamanduáGames, mas não há site dos desenvolvedores ou página em redes sociais para contato. Ainda na noite de domingo, Lynn agradeceu as muitas manifestações de apoio, informando os próximos passos para uma definição do assunto: "Estarei entrando em contato com a procuradoria jurídica da UNEB [Universidade Estadual da Bahia] para que as providências cabíveis sejam tomadas a fim de que os estudantes mudem o nome do jogo deles e sejam acionados juridicamente".

Atualização: Os profissionais acadêmicos ligados às duas produções conversaram posteriormente e, de forma amigável, chegaram a uma conclusão que favorece a todos, como explica novo artigo lançado no Drops de Jogos, que pode ser conferido através deste link.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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