Caso de gamer assassinada por misoginia pode ser reaberto

Assassino confesso prestou um novo depoimento à Polícia Civil, no qual indicou quatro suspeitos de supostamente ajudar a arquitetar a morte

O prédio do Departamento de Investigações Criminais (Deic), na Zona Norte de São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo

O prédio do Departamento de Investigações Criminais (Deic), na Zona Norte de São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo

Assassino confesso da jogadora profissional de games Ingrid Oliveira Bueno da Silva, de 19 anos, morta com golpes de espada e faca, em fevereiro de 2021, prestou um novo depoimento à Polícia Civil, no qual indicou quatro suspeitos de supostamente ajudar a arquitetar a morte da jovem. Essa informação é de uma reportagem de Alfredo Henrique no site Metrópoles.

Guilherme Alves Costa foi condenado pelo homicídio da gamer, conhecida como Sol, a 14 anos de prisão, após um júri popular, em 8 de agosto de 2022. O delegado Fabio Pinheiro Lopes, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) confirmou na tarde desta sexta (18), o depoimento de Guilherme.

“Ele disse que outros quatro também teriam, em tese, participado, arquitetado a morte da Sol. Um deles, há uma gravação disso, ligou para o pai dela e disse que tinha se masturbado vendo a imagem dela morta, que adorou [fazer isso]”.

Os quatro indicados por Guilherme foram presos pelo Deic sob a suspeita de integrar um grupo do Discord no qual praticavam crimes contra adolescentes. Nessa quinta-feira (17), a polícia solicitou à Justiça a conversão da prisão temporária deles em preventiva, ou seja, por tempo indeterminado.

Gabriel Barreto Vilares foi indiciado por estupro de vulnerável; Carlos Eduardo Custódio do Nascimento também por estupro de vulnerável, maus-tratos contra animais e associação criminosa; William Maza dos Santos por ameaça, associação criminosa, além de abuso sexual contra uma ex-namorada, e Vitor Hugo Souza Rocha, por racismo e associação criminosa. A defesa deles não foi encontrada. O espaço segue aberto para manifestações.

O diretor do Deic não especificou qual deles teria afirmado que se masturbou ao ver a imagem de Ingrid morta. A informação, assim como a gravação do telefonema feito ao pai da vítima, foram encaminhados ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

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O prédio do Departamento de Investigações Criminais (Deic), na Zona Norte de São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo

O prédio do Departamento de Investigações Criminais (Deic), na Zona Norte de São Paulo. — Foto: Reprodução/TV Globo

Carlos Eduardo Custódio do Nascimento, um dos quatro presos pelo Deic, ainda segundo o delegado Fabio Pinheiro, teria assumido para uma psicóloga o homicídio de uma pessoa em situação de rua, no centro da capital paulista. A data do crime não foi informada.

A polícia teria tido acesso a uma foto de Carlos, feita supostamente após o assassinato, na qual ele estaria coberto com o sangue da vítima. “Encaminhamos essas informações também para o DHPP, para que o departamento encontre essa vítima e para seguir com a investigação”.

Relembrando o caso

Num depoimento à Polícia Civil, em fevereiro de 2021, Guilherme Alves Costa afirmou ter planejado com duas semanas de antecedência a morte da jogadora profissional de eSports – ela jogava Call of Duty Mobile. O assassinato aconteceu na casa de Guilherme, em Pirituba, zona norte paulistana. Ele usou uma espada e uma faca contra Ingrid Bueno.

O corpo dela, que era conhecida como Sol no mundo dos gamers, foi encontrado pelo irmão do assassino, caído ao lado de uma cômoda. Foi o irmão de Guilherme que o convenceu, por telefone, a se entregar à polícia.

Ingrid conheceu seu assassino cerca de um mês antes do crime, pela internet. Guilherme a convidou para ir jogar na casa dele, no dia do homicídio, ocorrido por volta das 14h30.

Depois do crime, ele enviou um vídeo em um grupo de WhatsApp, usado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) para denunciar o criminoso. No registro, Guilherme grava o quarto onde ocorreu o assassinado e fala “olha que maravilha”, enquanto ri.

Ele, ainda segundo as imagens, fez questão de salientar que o líquido vermelho que aparece no vídeo não era tinta. “Vocês estão achando que é tinta, que é montagem, mas não é [dá risada]. Eu realmente matei ela”.

Com esse novo depoimento, há a possibilidade de que o caso seja reaberto, por causa das novas informações também colhidas pelo Deic.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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