Grupo de estudos de Bauru realizará oficina para recursos da Lei Rouanet que pode beneficiar indies

Curso detalha caminhos para criar um projeto capaz de vencer as etapas e burocracias do programa. A idealizadora da oficina tem também seu próprio projeto de game educativo para captar recursos.

  • por em 16 de novembro de 2015

O Projetare, Grupo de Estudos sobre Fontes de Financiamento e Elaboração de Projetos de Captação para Produção Audiovisual, Cultural e Educativa, de Bauru, realizará uma oficina voltada à captação de recursos da Lei Rouanet. Entre os projetos culturais que podem integrar tais propostas, o curso pode auxiliar produtores que desejem atuar no trabalho de captação para indie games e também seus desenvolvedores. Janaina L. Azevedo, profissional do mercado na área e integrante do Projetare, conversou com o Drops de Jogos e explicou quais os caminhos para beneficiar desenvolvedores indies e como a oficina pode contribuir nessa atuação.

"A Lei Rouanet é um ótimo dispositivo para viabilizar a realização de projetos culturais", afirmou Janaina, que é uma das idealizadoras da oficina. "Mas, achar que os processos de financiamento pela Lei Rouanet consistem de 'fazer um projetinho', e mandar, é ingenuidade – há toda uma gama de processos e etapas de produção cultural que envolvem muito profissionalismo e preparo por trás disso", enfatizou. 

"Existe um certo preconceito [por parte dos desenvolvedores] em lidar com o produtor cultural, por acharem que o papel dele será tentar colocar 'rédeas' no processo, mudar e remodelar aquilo que está sendo feito, para 'vender' mais fácil no mercado. Mas não é isso, é preciso trabalhar em conjunto", analisou, entendendo que não cabe necessariamente ao desenvolvedor despender tempo em busca dos recursos para a sua produção.

Para Janaina, o produto a ser apresentado em um projeto de financiamento deve ser bom, bem pensado, bem desenvolvido e ter qualidade. Mas o desenvolvedor precisa estar disposto a ouvir críticas que direcionem seu trabalho para as características desejadas para o fomento. "Não é o Gamedev que tem que se vender – se ele souber fazer isso, ótimo – mas ele deve produzir produtos de qualidade e se dedicar o máximo possível a isso. O profissional de games precisa se deixar 'ser produzido', como um artista: faz o teu trabalho, a tua arte, que eu faço o meu, que é te fazer ganhar dinheiro com isso", sentenciou, certa que a união entre perfis de ação diferentes podem se complementar e render frutos. "Vender produto de qualidade é fácil. A venda praticamente se faz sozinha", avaliou.

A produtora cultural, que é também mestranda em em Mídia e Tecnologia na Faac, na UNESP de Bauru, comentou que, por esses e outros motivos, a situação é um pouco mais complexa no que diz respeito aos games, o que exige atenção redobrada para ingressar com a proposta na lei. "A lei não foi, a princípio, pensada para os Jogos Digitais", esclareceu, destacando que, para que isso ocorra de forma mais efetiva, o projeto deve ter um forte apelo cultural e estar ligado ao desenvolvimento da cultura nacional. "São poucos os Games pensados nesse sentido. Toren foi um deles. Por isso, tanto o projeto quanto a captação foram bem sucedidos", afirmou. Janaina sugere que esta elaboração deverá resultar do trabalho minucioso de uma equipe de produção cultural em conjunto com os desenvolvedores. "E ainda não há muitos profissionais capacitados a captar dinheiro para projetos de games".

Janaina não esconde que a criação do jogo pode necessitar de adaptações que, inicialmente, não fariam parte das escolhas de seus idealizadores, mas podem ser contributivas para viabilizar a chancela do MinC ao fomento: "Pode ser que você tenha de fazer grandes mudanças no projeto para alcançar essa posição e despertar interesse de grandes financiadores. O financiador quer investir dinheiro onde tem retorno – ou seja, naquilo que abarca o maior número de pessoas". Embora não vá ao encontro do mundo ideal para os desenvolvedores mais puristas, que podem não querer abrir mão dos princípios de sua criação, a produtora mostra uma visão realista do modelo de financiamento possível pelas vias governamentais. "É a lei do mercado", declarou. Mantendo-se atenta ao modelo de ação proposto na oficina, Janaina está também criando seu projeto de games para financiamento pela Lei Rouanet. "Neste exato momento estou me dedicando ao Mestrado do PPGMiT na UNESP Bauru, com um projeto de Jogos Digitais de Narrativas Interativas, voltado para a cultura afro-brasileira, indígena e mestiça do Brasil, no âmbito escolar", afirmou. O desenvolvimento do projeto é parte da nova empreitada da profissional, que acaba de criar o Ludaria, estúdio independente de games, que irá atuar na produção de jogos culturais e educacionais.

A oficina com duas aulas se inicia hoje, às 17h, e continua no próximo dia 23 de novembro. Como complemento à atividade, no dia 07 de dezembro a Projetare realizará um Pitch de Projetos, no qual os interessados poderão fazer a demonstração de suas produções audiovisuais, culturais ou educativas em apresentações condensadas de até 10 minutos, para serem avaliados pela equipe da empresa.

Mais informações sobre a oficina e o pitching estão disponíveis no site do grupo.

Acompanhe Drops de Jogos no Facebook e no Twitter.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Categorias:
Cultura