Livro Playing at the World conta os primórdios da criação de Dungeons & Dragons

História mostra o encontro dos grandes criadores Gygax e Arneson.

  • por em 5 de março de 2019
Imagem: fotomontagem

Dia 04 de março é o Dia Internacional do Mestre de RPG, em homenagem póstuma a Ernest Gary Gygax, criador do Dungeons & Dragons e falecido nesta data, há 11 anos.

Para comemorar o fato, o Drops de Jogos resgata um texto de 2014, criado para o site Play'n'Biz, com um resumo geral dos primeiros capítulos do livro “Playing at the World”, de Jon Peterson, lançado dois anos antes.

Embora a lenda em torno da criação do jogo afirme que um jogador resolveu invadir um castelo sitiado e impenetrável pelos exércitos inimigos com um único guerreiro, dando origem à interpretação de papéis e não às manobras de tropas dos wargames, a realidade é menos romântica e vale ser conhecida.

Foi no ambiente pós-II Guerra que se estabeleceu o entusiasmo pelos waragames, com tabuleiros e miniaturas e no qual se deu, no final dos anos 1960, o encontro entre dois fãs dessa forma de entretenimento: Gary Gygax e Dave Arneson, os pais do D&D. 

Gygax era um obstinado criador de regras para atualizações destes jogos, e Arneson, um criativo participante das seções de jogos de guerra com miniaturas. 

Peterson afirma, no entanto, que a história do que viria a ser o jogo de interpretações de papéis se inicia ainda antes, com a criação, em 1952, da pequena empresa de jogos de tabuleiro baseados em guerras históricas, Avalon Hill, por Charles Swann Roberts II, em Maryland, e o lançamento de Tactics, o primeiro jogo de guerra de tabuleiro moderno, em 1954, que vendeu aproximadamente 2 mil cópias até 1957.

Diferente dos wargames convencionais, apreciados desde as guerras napoleônicas, os jogos da empresa utilizavam dados para a resolução de combates, realizados em turnos, uma configuração mantida até hoje um muitos jogos de tabuleiro e até mesmo videogames, como aponta o autor.

Em maio de 1964, a editora lançou a revista Avalon Hill General, voltada a apresentar seus produtos e a forma de jogá-los. Com a revista (pouco mais do um fanzine à época), veio a criação da seção Opponents Wanted, que ajuda encontrar outros entusiastas e formar de grupos de wargamers.

David L. Arneson, então um jovem estudante de História, chegou a arregimentar mais de 100 membros no grupo que se trnaria a IFW, International Federation of Wargaming, o que levou à decição de realizar a primeira convenção de wargames, em abril de 1967.

O evento contou com os esforços de jogadores verdadeiramente fãs e, entre eles, o jovem Gary Gigax. Em agosto do ano seguinte, um novo emenho levou à realização da Lake Genova Wargame Convention, mais tarde mundialmente conhecida como Gen Con.

Foi na primeira Gen Con que Gigax teve contato, pela primeira vez, com as miniaturas medievais, desenvolvidas pela empresa alemã Hausser, que também disponibilizava um pequeno conjunto de regras para uso em jogo.

Neste ponto, Peterson se detém a explicar a importância dos wargames com miniaturas, que diferem dos jogos de guerra em tabuleiro, comuns na produção da já citada Avalon Hill. 

“Seja lutando em uma mesa com tampo de areia, no chão ou em um jardim aberto, os wargames com miniatura evitavam o uso de tabuleiros e a resolução de movimentação [das tropas] com pisos quadriculados ou hexagonais [comuns nesses jogos] em favor [do uso] de um terreno irregular em escala e réguas para medir a distância [entre os regimentos]. A oportunidade de imergir [nesse contexto ficcional] é o propósito fundamental e resultado do imenso trabalho envolvido no wargame com miniaturas”, esclareceu o autor em sua obra.

Em 1965, Dave Arneson lançou um convite para jogos militares com miniaturas, que foi respondido por um grupo de jogadores de Twin Cities, auto-intitulado Military Miniatures Group, e com o qual o jovem começou a explorar jogos da era napoleônica.

Em janeiro de 1967, a revista Strategy & Tactics reconheceu a proximidade entre os dois tipos de jogo, dando espaço aos wargames com miniaturas e lançando aventuras para serem jogadas pelos fãs do gênero. 

Um dos jogos de maior sucesso, The Siege of Bodenburg, apresentava um cenário de guerra em estilo medieval, apresentando hordas de guerreiros e equipamentos para sitiar o castelo, como canhões, catapultas e outros instrumentos do período, sendo todos estes itens comercializados pela alemão Hausser. 

Por volta dessa época, Gygax já era reconhecido como um fanático colaborador de fanzines e revistas sobre jogos de tabuleiro, além de um agregador natural na comunidade e um networker por excelência. 

Em agosto de 1969, Gygax foi o grande anfitrião da segunda edição da Gen Con, recepcionando jogadores de várias localidades, como Dave Arneson, também presente ao evento.  Ali, ambos se conheceram e discutiram seus interesses comuns, como o desenvolvimento de regras adicionais para jogos de guerra napoleônicos e regras especiais para combates navais.

Desse encontro de dois gênios, cada um com sua especialidade, viriam a sucessão de regras de Gigax e o rico cenário de Blaclmoor, que serviriam de base para a criação do primeiro jogo com regras estruturadas para um grupo de heróis com suas dferentes características e habilidades em combates e magia,

Nascia o RPG e, com ele, Dungeons & Dragons.

No vídeo abaixo, o autor comenta detalhes sobre sua extensa pesquisa para a criação do livro.

Feliz Dia Internacional do Mestre de RPG!

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Cultura