Opinião: Como Constantino e os oportunistas de ocasião depreciam games para defender suas causas

O economista Rodrigo Constantino, ex-colunista da revista Veja, soltou um texto no dia 26 de outubro defendendo que o jogo Assassin's Creed: Syndicate é um game com "doutrinação ideológica" ao tornar o pensador Karl Marx como um apoiador dos heróis do título. Até o momento, o texto possui 558 comentários, sendo a maioria com a seguinte frase: "Você tem sérios problemas mentais".

Foto: Reprodução/Veja

Constantino não é ingênuo. Recém-demitido da Veja justamente por forçar a barra em suas postagens opinativas contra o governo Dilma, o PT e a esquerda brasileira, ele cada vez mais joga o seu diploma de economia da PUCRJ no lixo e se aprofunda num uso oportunista de produtos culturais para promover uma ideologia liberal que conquista adeptos da direita reacionária, pouco estudada e ignorante em muitos assuntos políticos. E ele deve ter conquistado uma boa montanha de cliques que devem render algumas vendas de cursos para o seu Instituto Liberal. No fim, Rodrigo Constantino só quer fazer business, negócios, mesmo que ele nem acredite tanto no que escreve.

Pensei em vários momentos em não escrever sobre este assunto, mas o "Trovão da Razão" da revista Veja merece uma crítica direta. Corro sim o risco de estar "batendo palma pra maluco". No entanto, a forma repugnante como ele deprecia videogames em prol de suas causas vale destaque.

O game Assassin's Creed recorre a períodos históricos para lançar seus enredos. A escolha da Inglaterra da era vitoriana e da Revolução Industrial não é por acaso. A ideia da empresa francesa Ubisoft é justamente encaixar a história dos assassinos com a ascensão de sindicatos naquele período. Entre os trabalhadores, a figura de Marx era proeminente na época, da mesma forma que a Ordem dos Templários foi tema de outros jogos, assim por diante.

No entanto, o senhor Constantino, dotado de uma negligência intelectual pura, utiliza uma abordagem meramente histórica do game para espalhar suas ideologias mambembes baseadas em Ludwig von Mises e liberais anticomunistas. Num movimento histérico, pretensamente querendo atingir a esquerda política no Brasil, ele só conseguiu atrair comentaristas neutros que denunciam a bizarrice clara em seu texto.

Não é nem a primeira vez que isso acontece no Brasil.

Em 2013, o apresentador Marcelo Rezende sugeriu em seu programa Cidade Alerta, na TV Record, que o jovem Marcelo Pesseghini teria assassinado os pais policiais militares por influência do jogo Assassin's Creed: Brotherhood. Num argumento irresponsável, o jornalista tentou criminalizar os videogames, o que gerou uma onda de revolta dos apreciadores da mídia que entendem que a diversão eletrônica não pode ser apontada como causa primordial de transgressões.

Esse sensacionalismo barato de figuras na grande imprensa simula as tentativas de censura dos jogos eletrônicos que ocorreram principalmente nos anos 80 e 90 nos Estados Unidos. De maneira democrática, os congressistas americanos criaram as classificações indicativas, impedindo a execução de um controle mais radical de acesso aos jogos.

Num argumento moralizante e forçado, totalmente despreocupado com uma ética real, o senhor Rodrigo Constantino se porta apenas como um oportunista que aproveita o lançamento de Assassin's Creed no dia 23 de outubro para tentar aparecer na mídia. Demitido da Veja, mas ainda colunista quinzenal do Globo, provavelmente Constantino se sente desmoralizado. Por isso, ele ainda tenta chamar atenção com opiniões forçadas.

É importante apontar todo o seu oportunismo nesta ocasião.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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