Opinião: O caso do canadense sique prova que o GamerGate não é sobre imprensa, e sim sobre preconceito

A articulista do Mashable, a indiana Sonam Joshi, define o caso do jovem sique Veerender Jubbal transformado numa montagem em um terrorista do Estado Islâmico supostamente responsável pelos atentados em Paris no dia 13 de novembro de 2015 como um "pesadelo nas redes sociais".

Foto: Reprodução/Twitter

O incidente mostra que o GamerGate é tudo, menos uma discussão sobre excessos da imprensa. No auge do escândalo no ano passado, integrantes deste movimento de intolerância alegavam mentirosamente que a desenvolvedora Zoe Quinn tinha trocado sexo por uma resenha positiva no Kotaku norte-americano. O review simplesmente não existe.

Já a reputação de Zoe foi objeto de inúmeros ataques, incluindo xingamentos baixos por ela ser mulher. Isso despertou nomes como Anita Sarkeesian, Phil Fish, Brianna Wu e muita gente.

Estes fatos não são novidade. Mas é engraçado como uma chacina que deixou 129 mortos na França e mais de 90 feridos, com pessoas alvejadas no Bataclan e em cafés franceses, tenha virado tema de montagens difamatórias feita por detratores de Veerender Jubbal. Tudo porque ele, assim como muitos outros, se mantiveram com a verdade no caso Zoe Quinn.

Atacadas em série por muitas pessoas, Anita e Zoe foram falar sobre seu caso na Organização das Nações Unidas, a ONU.

O site Storify reúne alguns dos ataques que resumem a situação de Verender Jubbal antes de ser associado com os atentados em Paris.

"Eu não empregaria Jubbal, aquele idiota que não cabe em difinições. Oxford acredita e ele é sim racista", disse um branco quando ele citou a questão do preconceito com negros. Ao criticar Hatred, um jogo brutalmente sanguinário, não deixaram de aparecer GamerGaters que acham que o politicamente correto dominou a discussão. "Vocês canadenses são americanos livres graças aos Estados Unidos que arrasaram", diz outro.

"O criador do #stopgamergate2014 admite que ele não gosta de videogames".

A ideia dos GamerGaters é deslegitimar o crítico de games, calar vozes dissonantes e alegar "machismo reverso" ou "racismo reverso" de grupos sociais que são historicamente prejudicados.

Apoiar este movimento que ataca virtualmente negros, grupos religiosos e mulheres demonstra o retrocesso da mentalidade de jogadores.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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