Ricardo Semler, empresário e guru dos negócios, trocaria a Matemática pelos Games

Profissional que subverteu o mundo dos negócios quer revolucionar também a educação.

  • por em 9 de junho de 2015
Imagem: montagem com arquivos digitais do site Clic RBS

O empresário Ricardo Semler, famoso pela reestruturação completa do modelo de gestão de sua empresa nos anos 1980, a Semco, e autor do best seller Virando a Própria Mesa, de 1988, acredita que nosso modelo educacional é incompatível com a realidade atual e afirmou que trocaria a matemática pelos videogames.

A afirmação surgiu em uma entrevista recentemente concedida ao jornal gaúcho Zero Hora, junto a outras declarações que deixariam pais e educadores de cabelo em pé.

Para o profissional, a 'decoreba' é uma técnica ultrapassada no modelo estudantil. "A ideia dos defensores da decoreba é que qualquer matéria ou conteúdo é útil – que é o ato de memorizar que desenvolve o raciocínio. Com base na ciência cognitiva não vejo estudo algum que indique correlação entre conteúdo insosso e habilidade cerebral", observou.

Semler acredita que há, por outro lado, estudos que comprovam a capacidade dos videogames no desenvolvimento de habilidades sensoriais, espaciais e de coordenação motora. "Os defensores da decoreba são a favor de substituir uma aula por dia de matemática por videogame? Eu sou", sentenciou ao repórter Itamar Melo. Um dos problemas, indicou, reside no desinteresse gerado pelos conteúdos educacionais apresentados pela escola e materiais didáticos. "A meninada, logicamente, tem oito minutos de paciência para o conteúdo vazio e inerte que está nas apostilas. Por outro lado, coloque seu filho para passar de fase num game de batalha cibernética – volte depois de quatro horas e lá estará ele, ainda tentando passar de fase".

O empresário propõe, assim como nos negócios, uma mudança de mentalidade na área da educação formal, de modo a aproveitar as oportunidades oferecidas pelos sistemas digitais, especialmente os games. "É preguiça e covardia defender que devemos empurrar goela abaixo matérias áridas, ao invés de usar a nova tecnologia para fazer do aprendizado algo entusiasmante".

A preocupação de Ricardo Semler com a educação vem da comprovação da necessidade de melhorias no panorama atual. "A Lumiar (instituto que fundou para mudar a forma de gerir projetos educacionais) surgiu de uma decepção com jovens que buscavam trabalho na Semco. Vinham treinados para entrevistas, vestindo a roupa certa, perguntando onde estariam em cinco anos – prontos e submissos para serem doutrinados. Ao pensar em como ajudar com esta questão, veio aos poucos a resposta: começando no ponto onde estragamos tudo, no jardim de infância", declarou.

Nas escolas mantidas pelo programa, crianças a partir dos quatro anos de idade criam as próprias regras de convivência sem a tradicional figura do professor em aula. "Sabem usar iPad e aprendem a escrever primeiro no mundo digital", enfatizou.

O uso dos games é apenas um dos princípios de seu modelo educacional revolucionário. "Os saudosos prefeririam aulas de caligrafia, da mesma forma que condenaram calculadoras em aulas de matemática nos anos 1970 e 80. Não passam de herdeiros dos luditas, que quebravam máquinas com martelos durante a revolução industrial", afirmou, por fim.

Que venha a educação com games.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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