Ex-campeão da categoria peso pesado do UFC, Cain Velasquez foi condenado há cinco anos de prisão em regime fechado pelo Departamento de Justiça da Califórnia. Essa sentença põe fim a um processo que se arrasta desde 2022.
Cain Velasquez é acusado de dez crimes, incluindo tentativa de homicídio premeditado, agressão e uso indevido de arma de fogo. A sentença final é bem menor do que o pedido da promotoria, que pediu 30 anos de reclusão para o atleta.
Mas existe uma circunstância atenuante que provavelmente levou a uma diminuição drástica no tempo de prisão da condenação final: todos os crimes foram cometidos contra pessoas que são investigadas por molestar sexualmente o filho do lutador.
Quando um ex-campeão do UFC virou o “John Wick da vida real”
A primeira vez que Cain Velasquez foi preso foi em 28 de fevereiro de 2022, quando o lutador foi detido após um evento digno dos filmes “John Wick”. Ele partivcipou de uma perseguição de carro que se estendeu por quase 20 km no Condado de Santa Barbara (na Califórnia) e que envolveu também troca de tiros e uma pessoa ferida durante o tiroteio.
O complicador dessa história toda é que quem o ex-UFC estava perseguindo era Harry Goularte Jr., trabalhador da creche onde o filho de Cain ficava e que estava sendo investigado por molestar sexualmente a criança. E a pessoa ferida foi Paul Bender, dono da creche e padrasto do acusado – e quem havia pago a fiança para que o suposto abusador pudesse responder ao processo em liberdade.
O caso ganhou manchetes no mundo todo não apenas pelo fato de que era um ex-campeão do UFC cometendo crimes – o que não é nenhuma novidade – mas por talvez ser a primeira vez que um desses ex-campeões pareciam estar no direito. Apesar de sim, ter cometido todos os crimes de que foi acusado, a justificativa para eles torna a história de Cain muito mais complexa do que a de outros lutadores presos. Normalmente são por questões onde eles claramente estão errados, como tráfico de drogas, perturbação da ordem pública e violência doméstica.
Tanto que, na época da prisão, diversas celebridades e figuras importantes do mundo das lutas ficaram ao lado de Velasquez. Nomes como Dana White (presidente do UFC), Kabhib Nurmagomedov, Fabrício Werdum e Daniel Cormier manifestaram apoio público ao atleta. Esse apoio foi crucial para que a decisão da justiça de negar a fiança à Velasquez (sob a alegação de que ele era um “perigo para a sociedade”) fosse revertida.
Enquanto o ex-UFC irá cumprir pena por tentar fazer justiça com as próprias mãos, os investigados por molestar o filho dele continuam soltos. Harry Goularte Jr. será julgado civilmente no dia 19 de maio. Neste julgamento também estarão no banco dos réus a mãe dele, Patricia Goularte, e o padrasto, ambos respondendo por cumplicidade e omissão no episódio da agressão contra a criança na creche que pertence a eles.
Já o processo penal do caso – o que realmente poderá condenar Harry Goularte Jr. pelo abuso sexual de uma criança – ainda não tem nem data marcada.
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