Grupo de jogadores de Dungeon & Dragons mantém Campanha ativa por 38 anos – Por Rodrigo Grego

Coleção conta com mais de 20 mil miniaturas, grids, mapas e pilhas de dados.

  • por em 2 de dezembro de 2019

Imagem: Nerdist

Uma das maiores tristezas de todo jogador de RPG é quando a sua campanha acaba. Mesmo quando o “Bem” vence o “Mal”, essa vitória é comemorada pelo longo sofrimento, dedicação e muito XP.

A situação é mais triste quando a campanha é interrompida. Fim! Quando a mesa se desfaz e outros acasos da vida interrompem definitivamente o jogo. Sem conclusões, com o destino em aberto. Todo jogador já passou por esse triste fim…

Alguns devem estar lembrando nesse exato momento de suas campanhas proscritas. Imaginem essas campanhas seguindo em frente durante 38 anos. Impossível? Talvez um conto de Petrynia? Errado, inusitado, mas a mesa do Mestre londrino Robert Wardhaugh está rodando e prestes a completar 39 anos de jogo.

Robert Wardhaugh descobriu o D&D aos 14 anos, nos idos dos anos 80, e desde então virou sua paixão e hobby, mantendo uma campanha que se tornou épica.

Essa campanha contém atualmente 50 jogadores com 2 sessões semanais de 5 horas e diversos multiversos interligados. Uma saga titânica.

O mestre, que é professor de História na Western University, prosseguiu no RPG e ampliou seu enredo e equipamento durante toda sua vida, criando um porão (sua dungeon particular) capaz de fazer inveja a muitos jogadores tradicionais. Sua coleção conta com mais de 20 mil miniaturas, grids e mapas e, claro, pilhas de dados. O criador de mundos chegou ao ponto de desenvolver um sistema de reprodução para jogadores distantes.

Mestre épico, jogadores motivados, o DM aponta na entrevista que alguns dos participantes da saga viajam de avião dos confins da Inglaterra para continuarem jogando sua campanha. (E você, aí, reclamando de sair na chuva para ir pra sessão marcada!)

Claro, esse covil que daria inveja em um dragão vermelho ancião, pode atrair mas não é a alma do jogo, como observa Wardhaugh na entrevista: “Quando iniciamos, não tínhamos miniaturas, só os dados e alguns livros, papel e nossa imaginação, o que era essencial”.

Quando questionado sobre a permanência no hobby, o aventureiro comenta que “dizem que eu ia crescer e parar de jogar”. E complementa: “RPG me permite continuar jogando mesmo fora da infância, mantém os amigos juntos e nos impede de crescer”.

Abaixo, você confere a vídeo entrevista com o mestre ancião:

Rodrigo Grego é cientista político de formação, ludologista e Game Designer em formação.
Mestra RPG desde os 13 anos (AD&D 2e), e Game Designer na Xondaro. Atua como jornalista de games, focando sempre nos indies, principalmente nos brasileiros.

Fonte: The London Free Press

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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