Após controvérsia, pesquisadora da Bahia e desenvolvedores de Uberlândia se entendem sobre os jogos homônimos Guardiões da Floresta

Game vencedor na 4ª edição do concurso Batalha de Games, da Universidade Federal de Uberlândia, deve mudar de nome.

  • por em 20 de janeiro de 2016

Há poucos dias surgiu na internet uma controvérsia envolvendo duas instituições universitárias e a denúncia de um possível plágio de jogo digital. À ocasião, a Dra. Lynn ALves,  professora e pesquisadora da Universidade Estadual da Bahia e responsável pela coordenação do Grupo de Pesquisa Comunidades Virtuais, expressou indignação com a produção do game "Guardiões da Floresta", vencedor na 4ª edição do concurso Batalha de Games, da Universidade Federal de Uberlândia. O game, sugeriu, seria um plágio do projeto homônimo do grupo de pesquisas, com mesma temática.

Esta semana, a pesquisadora da Bahia e os desenvolvedores independentes de Uberlândia entraram em contato com o Drops de Jogos para esclarecer que as conversas progrediram e chegou-se a um consenso para a situação. "Chegamos a conclusão que, embora o jogo desenvolvido por Douglas Cavalcanti e seu grupo tenha o mesmo nome, temática e personagens do jogo desenvolvido pelo Centro de Pesquisa Comunidades Virtuais da UNEB, o qual coordeno, não houve intenção de plágio. Foi uma mera coincidência", explicou Lynn Alves. "Na verdade o que houve mesmo foi uma falta de informação, eles não fizeram a pesquisa de anterioridade e isso fez com que houvesse um jogo com o mesmo nome e mesma temática", disse, em conversa com a redação.

"Definidos os personagens, o argumento e a mecânica da jogabilidade, nos restou apenas escolher o título do jogo. E não havia como ser diferente, 'Guardiões da Floresta' foi a primeira ideia que nos veio à cabeça. Era um título simples, que caiu como uma luva para nomear a aventura do Curupira e do Saci na defesa da floresta. O título surgiu em decorrência dos personagens e da temática do jogo, tudo de forma muito natural", informou Douglas Cavalcanti, um dos desenvolvedores procurados pelo Drops de Jogos. "Falhamos neste ponto. Deveríamos ter pesquisado se já não havia jogo com mesmo título. Se soubéssemos que já havia um jogo que usava o nome, teríamos optado pela escolha de outro. Mas acredito que, por falta de informação a respeito do assunto, não buscamos saber se o título já estava em uso", reconheceu, explicando a situação que gerou a contenda.

"Nós chegamos a um acordo e eles vão trocar o nome", comentou Lynn. "Eu acordei em excluir todos os posts do Facebook e dos perfis, pois minha intenção não é prejudicar ninguém, ao contrário, assim como eles se assustaram recebendo uma acusação de plágio, eu também me assustei ao ver que tinha um jogo com o mesmo nome da gente", ressaltou.

Embora a questão possa parecer irrelevante para alguns, a preocupação da docente se explica pelos desdobramenbtos que o assunto poderia gerar: "Quando temos um projeto financiado por agências de fomento governamentais a nossa responsabilidade e compromisso são muito grandes e temos que ter todo o cuidado para evitar semelhanças com outros projetos que possam indicar qualquer tipo de apropriação indevida", enfatizou, indicando os potenciais problemas de ordem jurídica e até mesmo a possibilidade de perder novos aportes à continuidade de pesquisas no desenvolvimento de projetos educacionais com jogos digitais.

"Não houve plágio, o que houve foi apenas uma triste coincidência de fatos e uma falha da nossa parte por não tomar mais cuidado ao nomear o jogo. Repudiamos qualquer tipo de plágio" declarou Douglas no contato com a redação. "Neste momento estamos trabalhando na alteração do nome do jogo o mais rápido possível".

"Nos concursos que fazemos na universidade, nos eventos e principalmente quando formos desenvolver um jogo, o primeiro passo é realizar o estudo de anterioridade e consultar não apenas as Appstores, o Google, mas especialmente o INPI e verificar se existem projetos que se assemelham ao que estamos pensando em propor, a fim de evitar problemas como esse que vivemos", sugeriu a pesquisadora da Uneb.

Na troca de mensagens entre os desenvolvedores dos jogos, Douglas se mostrou satisfeito com o desfecho da controvérsia: "Ficamos felizes por saber que a questão foi resolvida e que o mal entendido agora pode ser explicado a todos". Lynn, por sua parte, indicou que o caso rendeu frutos positivos, grata pela disponibilidade dos jovens na resolução: "Tranquilo, Douglas. Graças a Deus, resolvemos tudo. Você é um jovem do bem!", escreveu, em resposta ao indie. A professora finaliza, evidenciando a importância de buscar soluções de forma pacífica: "Fica a lição: primeiro, antes de qualquer coisa, esgote todas as possibilidades de falar com os desenvolvedores e resolver a questão apenas entre vocês. Caso isso não seja possível, aí sim, tome medidas legais", observou.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Indie