Do game à guerra: Brasileiro é o primeiro a se declarar desenvolvedor de jogos ao entrar no Saara Ocidental

BR Gamedev lá no Saara

Swâmi Abdalla-Santos no Saara Ocidental. Foto: Reprodução

Swâmi Abdalla-Santos no Saara Ocidental. Foto: Reprodução

Swâmi Abdalla-Santos, da KomBits, foi o primeiro brasileiro a se declarar desenvolvedor de jogos ao entrar no Saara Ocidental, território da África Setentrional, cercado por Marrocos e Argélia. Swâmi fez esse relato no grupo de devs no WhatsApp nesta terça (9) e conversou com o Drops de Jogos.

O convite para a viagem surgiu do game Back to Dust que ele desenvolveu na Ludum Dare em 2017. O título é um jogo sobre storytelling focado na tomada de decisões.

O plot: Você e sua filha estão em uma zona de conflito e com pouca comida, vocês devem viajar até a fronteira e tentar entrar no país vizinho. O caminho para a fronteira está cheio de outros refugiados pedindo sua ajuda. Quanto mais refugiados você aceitar no seu partido, pior será a sua condição de viagem. Sua humanidade prevalecerá? Ou seu instinto de autopreservação será superado?

Jogo tem narrativa com quatro finais, 10 NPCs e construção processual da história do NPC. Suâmi Abdalla-Santos fez o roteiro e história, com arte de Philippe Lepletier, programação de Felipe Osório e música de Raul “Super Velociraptor”.

“Eu  mal sabia da existência do Saara Ocidental… Eu gostei do resultado do jogo e resolvi fazer um projeto maior. Comecei a pesquisar mais sobre o assunto e botei o game em um edital de cultura do DF, aí recebi financiamento público de R$ 51 mil para ajudar a fazer a versão final”.

“Consegui pesquisar mais, conheci mais a fundo a situação do Saara Ocidental e acabei conhecendo o escritório de representação daqui de Brasília. Disse pra eles que queria conhecer e, embora eu tivesse que financiar minha viagem toda, que deu R$ 10 mil, consegui visto gratuito no Saara Ocidental e na Argélia para entrar”.

“Tive também hospedagem no Saara”, completa.

O Saara Ocidental vive uma guerra colonial. A República Saaraui foi fundada em 1975, após conquistar sua independência da Espanha. Depois de expulsar os espanhois, o povo saaraui passou a lutar contra a invasão do Marrocos, que buscava anexar seu território de cerca de 266 mil km², no norte da África, rico em fosfato e com uma vasta costa marítima voltada para o Atlântico.

Derrotado na guerra, em 1991, o Marrocos assinou um acordo de cessar-fogo com os saarauis, prevendo a realização de um referendo popular, mediado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que selaria a independência do Saara Ocidental. À época, foram entregues 2.500 soldados marroquinos que haviam sido capturados pelo Exército Popular de Libertação Saaraui (EPLS). Em troca, o reino de Rabat deveria libertar cerca de 600 presos saarauis, mas só entregou 200 pessoas.

De lá para cá, os dirigentes da Frente Polisário vinham optando pela via diplomática para retomar o controle do seu território. Além de colocar travas para a realização de um referendo sobre a independência do território, prometido há décadas, em novembro de 2020, o Marrocos voltou a bombardear o povo saaraui na região conhecida como “fenda de Guerguerat”, um acesso entre o deserto do Saara e o Atlântico.

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Swâmi Abdalla-Santos no Saara Ocidental. Foto: Reprodução

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