Com A Lista de Fachin, desenvolvedor quer resgatar interesse do público jovem pela política - Drops de Jogos

Com A Lista de Fachin, desenvolvedor quer resgatar interesse do público jovem pela política

Game pode ser jogado online.

  • por em 25 de abril de 2017
Imagem: reprodução

 
O estúdio Lizards Games, de Brasília, acaba de lançar o webgame A Lista de Fachin. Em estilo arcade, o jogo atualiza as mecênicas dos jogos clássicos como Pacman e Space Inavders para reproduzir a caça aos políticos corruptos das investigações da Lava Jato.
 
Alex Leal, professor universitário e desenvolvedor indie, conversou com o Drops de Jogos para falar sobre a nova criação do estúdio. Para Leal, os jovens parecem hoje alheios à política nacional e os games podem cumprir o papel de trazer a reflexão sobre as atuais deificuldades do país por meio do entetenimento.
 
Drops de Jogos – Como surgiu a ideia de fazer o novo game?
 
Alex Leal – Surgiu durante o EPIC Game Jam. Estava como mentor no evento e ver a gurizada naquela loucura toda para produzir os jogos é sempre inspirador. Decidi fazer minha Jam pessoal e produzir um jogo em apenas 24 horas.  Desenvolvi o jogo no fim de semana!
 
DJ – A Lizards games tem produzido jogos que questionam o atual momento político no Brasil. Você acha que, além de divertir, games podem ajudar na reflexão sobre as condições em que vivemos?
 
AL – Acho que o jovem brasileiro está desinteressado com a política. Nossa geração era mais questionadora, usávamos nosso trabalho e formas de expressão para demonstrar nosso ponto de vista sobre tudo, inclusive política. Nolan Bushnell, criador da Atari, diz que os videogames são uma forma de expressão, acredito que criar games políticos, sociais, educativos ou culturais é uma foma de expressão digital. Jogos de videogame são mais que produtos de entretenimento, podem fazer pensar ou até mesmo questionar um momento histórico. Mas claro, não sou hipócrita, defendo os games em geral, sejam eles educativos ou com tiro, porrada e bomba!
 
DJ – Como funciona a mecânica do game e porque você decidiu por essa forma de criação?
 
AL – O game é um arcade, até porque meu público é de pessoas que ainda acham que Pac Man foi o melhor game do mundo (risos). Tem um pouco de Space Invaders, a mecânica é simples, atirar, correr, pegar vida e correr outra vez. Mas ainda é bem divertido e tem emoção. E videogame pode ser em 3D com realidade virtual ou mesmo um pixel pulando de um lado para o outro, o que importa é a interação.
 
DJ – Fazer um game envolve que conjunto de habilidades?
 
AL – Essas loucuras criativas são experiências notáveis. Estou no meio artístico e tecnológico ha mais de 25 anos e, no começo, eu era 90% inspiração e 10% técnica. Hoje sou 100% técnico. A inspiração acaba sendo resultado da necessidade de trabalhar. Quando somos jovens, desafiamos a falta de técnica com ousadia. Depois ficamos velhos, cheios de conhecimento, e colocamos o pé no freio, nos arriscamos pouco por pura defesa do patrimônio intelectual. Acho que se arriscar, fazer algo inesperado, até tosco para alguns, é um meio de resgatar a ousadia da juventude!
 
DJ – Você esteve ausente por um tempo. Do que vive um desenvolvedor nacional enquanto não cria novos jogos?
 
AL – Eu tenho outras atividades além de desenvolvedor de games, uma delas é a de professor, minha última produção independente havia sido em 2015 com o Vale Tudo (também tema político) mas em 2016 produzi um game educativo, chamado “Com fogo não se brinca”, com os alunos da faculdade UDF. Mesmo games gratuitos podem gerar algum tipo de retorno, às vezes os novos produtores acham que vão criar um título e ficar milionários. Como empresário, entendo que é uma escalada. Os títulos que lancei, ultimamente não renderam ganho financeiro direto, mas indiretamente posicionaram minha empresa no mercado e estão consolidando nossa capacidade produtiva.
 
DJ – Como você vê o mercado de games nacionais hoje?
 
AL – Vejo nosso mercado como um grande canteiro de obras, um lugar onde podem surgir grandes edificações, sólidas e modernas. Somos criativos, não dá para negar. Nos falta organização, dinheiro e talvez uma boa estratégia de mercado. Quando comecei a fazer games, ninguém nem sabia o que era um marketing digital, as coisas estão mudando rapidamente, mas ainda há um terreno aberto aí, temos que trabalhar!
 
O estúdio indie brasiliense tem mantido uma produção regular de jogos sobre a política nacional, com lançamentos como Vale Tudo – Dilma X Cunha e Angry Brasil. O game A Lista de Fachin pode ser jogador diretamente no site da Lizards Games.
 
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Categorias:
Indie
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